Era uma manhã tranquila. Estavam
todos e cada um fazendo suas coisas de todos os dias. Reinava aquela
tranquilidade típica do interior. As horas se arrastando enquanto o sol
passeava pelo céu. Uma galinha ciscava aqui. Outra cacarejava acolá. O galo
bateu as asas e cantou para lembrar quem mandava no pedaço.
De repente, ela apareceu. Ninguém
viu de onde. Como um milagre, ela surgiu.
Ficaram de olhos arregalados.
Ouviu-se um burburinho se alastrando pela vizinhança. Quem seria aquela
sirigaita, era a pergunta que os olhos aparvalhados e as caras estupefatas se
faziam.
Ela não se intimidou. Desfilou.
Mediu cada canto do novo território. Parecia também surpresa. Talvez não
tivesse planejado parar exatamente ali. Ela tinha um jeito atrevido. Balançava
a cabeça de um lado pro outro. Chacoalhava o corpo num gingado sedutor. Aquilo
foi o suficiente. Em poucos minutos ela estava cercada. Olhos interrogantes. Fez-se
ouvir um burburinho crescente. Que logo virou um chiado bem barulhento e, em
seguida, se transformou numa grande confusão.
Estava armada uma briga sem
precedentes por aquelas bandas. Teve sangue. Arranhões. Nuvem de poeira. A
forasteira, sozinha, rapidamente se viu acuada. De longe o galo só bateu as
asas, de novo pra lembrar quem mandava no pedaço.
A poeira foi baixando. Parecia
que tudo voltaria ao normal. Mas a recém-chegada não deu sinal de partida. Ficou
lá, num canto, tentando se recompor. As outras, desconfiadas e ainda
enciumadas, formavam uma fileira a pouca distância. Não dariam tréguas à
forasteira. Ela teria que conquistar seu espaço, se pretendia ficar.
Ela, que ajeitava as penas que
haviam sobrado, já tinha entendido quem realmente mandava naquele galinheiro.
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