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17 junho 2020

A onda - a contaminação fascista

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"Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar que "eles" não podem repetir o que fizeram. Mas quem são "eles"? (Umberto Eco, O fascismo eterno)


Ontem fui "desafiada" por uma amiga, numa rede social, a postar filmes que me impactaram em diferentes momentos da vida. O primeiro que coloquei foi A onda. Várias reações, alguns comentários e senti vontade de rever o filme. Foi um soco no estômago e fiquei feliz com a escolha da postagem. Impossível ver esse filme e não associar com acontecimentos recentes no nosso país e no mundo.

A onda é um filme alemão de 2008, dirigido por Dennis Gansel, que nos fala sobre um "experimento social" feito por um professor com alunos do ensino médio. O experimento em questão aconteceu nos EUA, em 1967, em Palo Alto, Califórnia, e consistia em uma simulação que tinha por objetivo mostrar aos estudantes o que é ter que seguir as instruções de um líder. Em entrevista para a Folha de São Paulo em 2008, o professor Ron Jones, na época com 68 anos, disse: "nunca faria isso de novo, coloquei os alunos em perigo". No filme de Gansel, as consequências são mais trágicas do que uma criança perdendo a mão construindo explosivos, como aconteceu na vida real.

Faz já algum tempo que o termo "fascismo" tem sido recorrente nas redes sociais, em cartazes de manifestações de rua e até mesmo nos jornais de grande circulação. Depois do secretário de cultura do governo ter gravado vídeo claramente de inspiração nazista, escancarou-se os motivos para chamar o atual governo brasileiro de fascista. Bolsonaro sempre foi autoritário, embora tenha passado quase 30 anos como parlamentar, sempre mostrou desprezo pela democracia e pelas instituições democráticas, nunca fez questão de esconder seu racismo, sempre fez questão de exaltar a violência - seu 'herói' é um torturador -, nunca escondeu relações de sua família com a milícia - ele e os filhos, também deputados, empregaram familiares de milicianos e milicianos em seus gabinetes, deram medalhas à milicianos, defenderam publicamente "legalizar" milícia. Os elementos estiveram sempre lá, para que todos pudessem ver.

Bolsonaro e a maioria dos que se identificam com ele poderiam facilmente ser comparados ao garoto Tim: medíocre intelectualmente, solitário, ressentido com o mundo, desejando ser aceito, buscando pertencer a algum grupo, desejando se sentir especial. Encontrou tudo isso na onda. Foi o primeiro a se encantar pela proposta do professor. Desde início demonstrou o quanto havia gostado da ordem, da disciplina imposta pelo professor no experimento. Estava disposto a tudo para fazer parte de algo, para se sentir pertencente a um grupo.

No livro Amanhã vai ser maior, a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, que acompanhou por alguns anos jovens da periferia de Porto Alegre, desde as jornadas de junho de 2013 até o período eleitoral de 2018, nos mostra como o bolsonarismo foi capaz de seduzir garotos como Tim. Guardadas as devidas proporções, os garotos que participaram dos rolezinhos no final de 2013 ansiavam pela mesma aceitação, reconhecimento e pertencimento que Tim. Mas em 2016, grande parte daqueles garotos estavam encantados por Bolsonaro: "eles se referiam ao candidato como um símbolo, uma marca juvenil - tal como a Nike operava na época dos bondes" (p.166).

A contaminação fascista pode ter acontecido no Brasil de maneira rápida, mas não dá pra dizer que ninguém avisou que estava acontecendo. Como no filme, tinha muita gente tentando avisar que aquela história não iria acabar bem. A jovem Karo, criada numa família bastante libertária, num primeiro momento sente-se atraída pela onda, afinal, parece que os adolescentes vivem pedindo por limites. No entanto, a garota logo percebe os problemas daquele movimento, mas ela fica só. É angustiante estar no no lugar de Karo, vendo pessoas que amamos se afundando em ódio e violência, tentar avisar, tentar alertar e ser chamada de exagerada, ou acusada de estar com inveja do sucesso do movimento.

Os desfechos trágicos do filme nos colocam em alerta. Quantos terão o fim de Tim? Qual o tamanho do trauma causado por essa aventura fascista que o bolsonarismo trouxe ao país? Porque, sim, o bolsonarismo não é só um fenômeno autoritário, um "populismo de direita" como alguns têm chamado. O bolsonarismo pode, sem medo de errar, ser considerado um movimento fascista, apresentando algumas das características apontadas por Umberto Eco como marcas do Ur-Fascismo ou do fascismo eterno: culto a tradição, irracionalismo, frustração individual e social, racismo, machismo, populismo qualitativo, manipulação da linguagem (uso da novilíngua) (Cf. p.44-59: O Fascismo Eterno).

Estamos num momento dramático da nossa história e a união contra o fascismo se torna urgente. Que tenhamos a coragem de Karo para denunciar e lutar contra essa onda que ameaça nos carregar para mares tenebrosos e cheios de tormentas. Não queremos que "eles" repitam o que fizeram. Ou, prestando atenção no alerta de Umberto Eco e do próprio filme A onda, não queremos ser "eles". Será que ainda estamos em tempo de evitar o pior?

07 fevereiro 2013

26 de janeiro 2013: Um olhar diferente para Campinas

Já faz quase 10 anos que moro em Campinas e, apesar de me sentir em casa aqui, ainda não conheço Campinas como eu gostaria. Eu e alguns amigos que, assim como eu, vieram para estudar na Unicamp e acabaram se estabelecendo por aqui, sempre reclamamos do fato de Campinas não ser nada turística e tampouco oferecer uma agenda Cultural que faça jus ao tamanho e a importância que essa cidade tem no cenário estadual. Mas para além das reclamações, sempre que aparece alguma oportunidade de explorar Campinas ou de aproveitar o que a cidade tem pra oferecer, fazemos o possível para prestigiar. Sábado, dia 26 de janeiro, foi um desses dias. Ficamos sabendo de um tour pelo centro de Campinas, promovido pela Campinas Turismo, do jovem Rômulo Schincariol. 
O passeio até foi divulgado em alguns jornais locais (Destak Jornal), mas ainda não é o tipo de atividade que atraí muito público, infelizmente. Um grupo de aproximadamente 25 pessoas foi conferir o roteiro montado pela Campinas Turismo.
Grupo do Turisapé - Campinas, 26 de janeiro de 2013, em frente ao monumento túmulo do Carlos Gomes
 O Roteiro teve início em frente a Catedral Metropolitana de Campinas e terminou no Marco Zero da cidade, na praça em frente a Basílica do Carmo.
Marco Zero da Cidade de Campinas, antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das campinas do Mato Grosso de Jundiaí e posteriormente Vila de São Carlos. 
A grande descoberta do passeio foi um cofre para depósitos noturnos, do tempo dos barões do café, na rua   Ferreira Penteado.

Outro momento interessante, foi atravessar o 'Beco do Inferno' ou Travessa São Vicente, como é hoje conhecido o local. Foi uma das primeiras ruas de Campinas, mais precisamente uma das entradas da cidade.



Andando pelas ruas da cidade, temos certeza de que há um potencial turístico adormecido (em vias de ser despertado!). Espero que outros roteiros surjam e que mais pessoas se interessem por conhecer Campinas, sua história, seus personagens, seus becos, prédios e praças.   

Obrigada Rômulo, da Campinas Turismo, foi um passeio muito legal. Estou na torcida para que venham outros roteiros e terei prazer em divulgar os eventos entre meus amigos e aqui no blog. 
Mais algumas fotos:



Palácio de Azuleio - prédio onde atualmente encontra-se
o MIS(Museu da Imagem e do Som de Campinas)






Praça Bento Quirino











E.E. Francisco Glicério - esse prédio foi o primeiro grupo
escolar de Campinas

Detalhe da fachada do prédio onde atualmente
encontra-se a E.E. Carlos Gomes

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