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27 maio 2017

Falar de democracia é fácil, difícil é conviver com a democracia.

A palavra democracia é de origem grega, como muitas outras do vocabulário político, e significa poder (cracia de cratos) do povo (demo). Em Atenas, originalmente, o povo era cerca de 10% da população, pois apenas homens, livres, maiores de idade, filhos de pais atenienses, compunham o povo. Mulheres, escravos, estrangeiros formavam um contingente de excluídos da vida política. O conceito de povo foi mudando ao longo do tempo, felizmente. Dizemos que o conceito de cidadão se ampliou. 

Para termos uma democracia é preciso que haja isonomia, igualdade de todos perante a lei (mesmos direitos e mesmos deveres) e isegoria, direito igual à palavra. Daí sempre falarmos da liberdade de expressão como principal marca de um regime democrático. Se todos têm direito a fala, todos também têm o dever de ouvir, é dessa interação que nasce o diálogo. Sem diálogo é impossível ter um ambiente democrático. No entanto, ouvir o outro é muito difícil, exige uma boa dose de paciência e tolerância, pois nem tudo que vamos ouvir vai nos agradar. Numa democracia embate de ideias é indispensável para que se possa concretizar o exercício ou prática democráticos. Falar e esperar que todos concordem combina muito mais com regimes autoritários. Num ambiente democrático, teremos que usar a palavra para defender nossas ideias ou visões de mundo. O convencimento deve se dar pela apresentação de argumentos consistentes. Quem espera vencer no grito ou pelo silenciamento do outro não sabe conviver com a democracia. 

A sociedade brasileira tem uma experiência recente com a democracia. Ainda estamos dando nossos primeiros passos. Acreditava-se há poucos anos atrás que estávamos avançando, no entanto, os acontecimentos recentes têm nos mostrado que esse processo era bem mais frágil do que pensávamos. Não fomos educados para viver num ambiente democrático. Não fomos estimulados a exercitar a democracia. Por muito tempo a eleição, a escolha de representantes políticos, foi saudada pela mídia e pela sociedade como a Festa da democracia, como o grande momento de participação política do cidadão brasileiro. Talvez esse tenha sido um dos nossos maiores erros. O modelo representativo das democracias modernas levou muitos países a se distanciarem da democracia. No caso do Brasil, a ideia de que existem 'os políticos' e a eles cabe a responsabilidade por 'fazer política' nos deixou às margens de processos que agora são desmascarados diante dos nossos olhos e que nada têm de democráticos. 

No nosso país, quando os cidadãos resolvem participar da política, quando resolvem tomar parte 'na festa democrática' para além do voto, facilmente isso vira sinônimo de 'rebeldia', 'bandidagem', 'baderna', 'vandalismo'. Na educação não é diferente. Quando os alunos de escolas públicas ocuparam escolas e reivindicaram ser ouvidos, foram logo tachados de 'vagabundos', 'invasores'. 'Os políticos' têm medo de cidadão querendo participar da política. Os cidadãos só são bem vindos nas eleições. Que votem e voltem para casa. E se quem se mete a fazer política são jovens, aprendendo o que é ser cidadão, o perigo é muito maior e é preciso declarar guerra contra ele. Mas fazer guerra contra adolescentes pega mal, até para uma Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Nesse episódio, o secretário de educação não teve condições de continuar no cargo. E toda essa confusão teve início porque a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo tem um modus operandi nada democrático: do dia para a noite foi anunciada uma reorganização das escolas estaduais que pegou todos de surpresa. O resultado dessa falta de diálogo entre Secretaria de Educação e as comunidades escolares foi sentido pelo governador Geraldo Alckmin que resolveu dar um passo atrás, ou melhor, resolveu fingir que iria dar um passo atrás. 

O novo secretário de Educação, José Renato Nalini é um fanfarrão, para dizer o mínimo.  A última novidade da Secretaria de Educação é implementar uma tal de Gestão Democrática nas escolas da rede, de maneira nem um pouco democrática, diga-se de passagem, afinal, veio tudo já prontinho (questionários, modelos de fichas de sugestões, dinâmicas a serem realizadas), só para ser aplicado nas escolas, e com data marcada para que sejam enviados os relatórios para a Secretaria. O projeto de democratização começou pelos Grêmios Estudantis. É claro que, de maneira bem democrática, quem decidi o que são bons Grêmios e o que seria um Grêmio baderneiro é a Secretaria de Educação... Resumo da história: os Grêmios foram colocados nos trilhos da Secretaria de Educação, ou pelo menos é o que vem tentando a rede estadual, com cursos de formação de professores para acompanhar os Grêmios, entre outras medidas. 

O debate sobre gestão democrática teria como foco a atuação  das instâncias deliberativas das escolas, APM (Associação de Pais e Mestres), Conselho de Escola e Grêmio Estudantil. Pais, alunos, professores e funcionários podem e devem participar dessas instâncias e elas deveriam servir para tomar decisões referentes às necessidades das escolas. O discurso é bonito, mas na prática é tudo bem diferente. Para começo de conversa, a autonomia que as UEs (unidades escolares) têm hoje é quase nula. Em termos financeiros, a grande maioria das verbas já vêm com destino certo (elas vêm para comprar produto de limpeza, ou para comprar determinados materiais de uso cotidiano, etc). Contratação de professor, atribuição de aula, é tudo decidido pela Secretaria de Educação, não dando margem para as UEs resolverem problemas locais de maneira rápida e eficiente. Tudo é muito burocratizado. As decisões que essas instâncias podem tomar são bem restritas. Por outro lado, cada vez mais o Estado tende a incentivar o trabalho voluntário de pais e membros da comunidade de modo a suprir as faltas do poder público. O discurso de que a comunidade deve se envolver com a escola é bonito e faz sentido, mas não pode servir de desculpas para que o Estado cada vez mais faça menos. 

Como disse uma colega, apesar de todas as críticas que temos e devemos fazer à maneira como o Projeto Gestão Democrática está sendo jogado pra cima das escolas, temos nas mãos uma chance única de usar esse espaço de debate para pensarmos 'que escola queremos'. Não vai ser fácil. Tem escola apenas preenchendo os relatórios, ou seja, cumprindo com a burocracia, fornecendo 'dados' para a Secretaria (e talvez seja só isso mesmo que eles querem...), mas tem escola que está encarando o desafio de chamar todos, professores, funcionários, pais e alunos para construir uma escola mais democrática. Os conflitos vão surgir, as dificuldades de escutar coisas que não nos agradam serão imensas, haverá confronto, mas pode trazer frutos bem positivos. Numa dessas reuniões de debate sobre Gestão Democrática, apesar de todos os percalços que tivemos, surgiu uma ideia muito legal: Assembleia Geral na Unidade Escolar. Essa ideia veio dos professores, veio dos alunos e dos funcionários. Todos sentem a falta de mais diálogo, a necessidade de se criar espaços para que todos esses agentes possam interagir, falar e se ouvir sobre qual é a escola pública que queremos. Apesar dos problemas que sugiram durante a reunião, problemas que, na minha avaliação decorrem justamente da nossa experiência limitada com ambientes verdadeiramente democráticos, as atuações e reações dos alunos foram tão positivas, que saí com uma pontinha de esperança de que podemos ter avanços e construir uma espaço de fato democrático nas escolas públicas. 

21 abril 2015

Comida di buteco 2015

Mês de Abril tá aí e com ele mais uma edição do Comida di Buteco. Aqui em Barão têm três estabelecimentos concorrendo: Alzirão Empório Bar,  Eskina Bar e Estação Barão. 
Já demos um pulinho nos três e vale a pena conferir essas comidinhas.
A coxinha de rosbife do Estação Barão está uma delícia, como costumam ser os salgados da casa, no entanto, parece que faltou criatividade para o pessoal... Mas vale dizer que o molho de laranja que acompanha o salgado ficou muito saboroso e combinou bastante.
Criatividade não foi o problema do Eskina Bar, Costela de Adão é um nome bem interessante para o bolinho de costela cremosa e maçã. O bolinho é bem saboroso e a combinação da costela com a maçã ficou muito boa, no entanto ele não é dos mais sequinhos...
O Mió de bão do Alzirão marca boa presença já pelo nome, mas também pela aparência do prato. O destaque fica com os croutons de abacaxi que deram um sabor especial ao prato. 

Além dos Bares de Barão, fomos prestigiar também o Bar do Carioca, no Bonfim. E tivemos que ser perseverantes para experimentar o Pernil do Carioca. Ontem a casa estava bombando, e diante da quantidade de gente na espera acabamos desistindo. Voltamos hoje e valeu a pena! O bolinho de pernil com vinagrete de maçã verde e queijo é muito bom. A massa é excelente, o recheio bem temperado e estava muito sequinho!

A competição encerra no dia 03 de Maio, e até lá esperamos prestigiar outros butecos pela cidade. Aproveitem para fazer o mesmo!!!
Aproveitem também para sugerir o tema do Comida di Buteco 2016 aqui, no site do evento. 

22 junho 2013

Acordamos!? Será??

A melhor maneira de começar esse texto seria dizendo: Muita calma nessa hora! Difícil analisar tudo o que aconteceu no Brasil nas últimas semanas e ainda está acontecendo. 
Inicialmente, as manifestações que ganharam as ruas tiveram um objetivo bem pontual: redução das tarifas do transporte coletivo em muitas cidades do país. Em São Paulo, as primeiras manifestações foram organizadas pelo MPL (Movimento Passe Livre), pedindo a revogação do aumento de R$0,20 nas tarifas de ônibus, trem e metrô. Mas depois de cenas de exagero e descontrole da polícia terem ganhado as principais páginas de jornais de todo país e, principalmente, terem corrido aos quatro ventos via facebook e youtube, as pessoas saíram às ruas não só de São Paulo, mas do Brasil inteiro, não mais por R$0,20. Os cartazes levantados pelos manifestantes colocavam na ordem do dia uma série de problemas: Corrupção; Impunidade; Serviços básicos de má qualidade - saúde, educação, transporte e segurança; Falta de transparência nos gastos públicos; superfaturamento nas obras da Copa; PEC 37 e por aí vai. 
Manifestações que, assim como o próprio MPL, são apartidárias. O que está longe de significar apolíticas. Tenho lido alguns artigos nos quais, por ignorância ou desonestidade intelectual, tem-se afirmado a co-extensão entre os termos. É preciso fazer algumas diferenciações: primeiramente, apartidário não é necessariamente igual a anti-partidário. Ao dizer que as manifestações são apartidárias, os manifestantes não estão necessariamente pedindo o fim dos partidos políticos, mas poderíamos dizer que estão afirmando que não se sentem representados por nenhum dos partidos que aí estão. Em décadas os partidos políticos brasileiros conseguiram a proeza de despertar em grande parte da população o sentimento de que eles não nos representam. Muitos políticos que agora tentam desqualificar as manifestações nas ruas dizendo que elas são despolitizadas, deveriam repensar o que fizeram durante essas três décadas de democracia no Brasil para politizar essa juventude que agora toma as ruas. Vale a ressalva de que politizar é bem diferente de doutrinar!
Ainda tenho dúvidas se despolitizada é uma boa palavra para qualificar a multidão que ganha as ruas. Sinceramente, apolítica é algo que nem sequer consigo compreender...Quando milhares de pessoas saem às ruas gritando por melhoria na qualidade de serviços públicos, pelo fim da corrupção e da impunidade, não vejo outra coisa nisso tudo que não uma ação política. 
Mas, se por despolitizada entendemos a falta de uma pauta clara, de conhecimento sobre o fazer político no país, e até mesmo desconhecimento das figuras carimbadas da nossa política que outrora lutaram pela democracia, ok, eu concordo, temos uma grande massa despolitizada no Brasil ganhando suas ruas. Mas isso é culpa de quem? Durante essas três décadas de democracia o que temos visto é uma terceirização da política no Brasil. O que eu quero dizer com isso? A grande maioria dos 'cidadãos' só exercem sua cidadania na hora de votar e eleger os seus 'representantes'. Mas não tinham (e não têm) a menor ideia de para que serve um senador ou deputado, ou da diferença entre poder judiciário, legislativo ou executivo. E poucos tinham reclamado da despolitização do brasileiro até então. 
Depois que foram anunciadas as reduções de tarifas nas principais capitais e em várias cidades do país, ficou o sentimento de "E agora José?".
O que estou percebendo é que estão todos perdidos. É novidade, e não há parâmetros para se enquadrar o que estamos vivendo. Também não estou afirmando que estamos vivendo uma grande revolução. Qualquer afirmação desse tipo (vide capa da VEJA da semana) deve ser considerada com muita ressalva. Os velhos grupos acostumados a 'representar' o povo brasileiro,  e que podemos classificar - e eles mesmo fazem questão de assim se afirmarem -   como direita e esquerda, estão agora desbaratinados. A direita (leia-se setores conservadores representados por partidos como PSDB e grande mídia) vê numa movimentação apartidária uma crítica direta ao PT e incita a bandeira do 'fora Dilma'.  A esquerda (sei lá quem botar nesse saco, mas vamos fazer de conta que o PT ainda é esquerda,  e põe aí junto PSOL, PCO, PCdoB e cia), por sua vez, vê a manifestação apartidária como um perigo fascista conservador de ultra direita, quando as bandeiras vermelhas são proibidas de serem erguidas em meio a multidão. Que fique bem claro: NÃO SOU A FAVOR DA VIOLÊNCIA que, infelizmente, ocorreu em alguns lugares contra os militantes de partidos ou movimentos sociais. Mas é preciso tentar entender o que está acontecendo. E enquanto continuarem, esses e aqueles, apenas tentando pegar carona nas manifestações, não vamos ganhar absolutamente nada. E pior, corre-se o risco de perder toda essa força que, talvez, o povo tenha descoberto que lhe pertence. 

De tudo que aconteceu até agora, parece que podemos tirar algumas lições:
i) Se parece que o povo acordou, os políticos e seus partidos ainda não acordaram, no máximo estão experimentando um terrível pesadelo.
ii) Ir para as ruas é fazer política, e o apartidarismo dessas manifestações, se bem direcionado, tem um potencial muito grande de cobrar mudanças em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), independente de qual partido estiver no poder.
iii) Vândalos e bandidos se aproveitando de momentos de grandes manifestações há em todos os lugares. Isso não deve justificar os prejuízos que estamos tendo, mas NÃO PODE DESQUALIFICAR as manifestações. Além disso, para os criminosos, que venha a polícia!
iv) Se queremos que essas manifestações tenham um fim digno, faz-se urgente criar espaços de discussões e politização dos que estão indo para as ruas. É preciso ir para a rua com objetivos claros. Antes de sair de casa as pessoas devem se perguntar: Por que estou indo às ruas? O que eu quero? Usemos as mídias sociais, usemos as salas de aula, façamos política!! Só assim poderemos dizer, talvez daqui alguns anos, que acordamos!

18 fevereiro 2013

Carnaval nas cavernas

Como disse uma amiga minha: Eu achava que caverna era tudo igual.
Bom, nesse feriado descobrimos que não é bem assim. E que o mundo das cavernas pode nos surpreender e muito! Fomos passar o carnaval bem longe de folia, funk e batuques. Os sons que ouvimos foram outros, bem mais agradáveis aos meus ouvidos: canto de pássaros, água de rio e cachoeira, barulho de passos em trilhas e risadas, muitas risadas de amigos queridos! 
Fomos passear no PETAR, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira. É um lugar encantador! Valeu cada minuto da viagem. Foram dias intensos, de muita caminhada e muita descoberta. E olha que ainda tem muito o que descobrir. Voltamos já marcando uma próxima visita!
Dentre os núcleos de visitação, dessa vez escolhemos o núcleo Santana, dois dias de exploração: conhecemos cinco cavernas: Caverna Santana, Caverna da Água Suja, Caverna Cafezal, Morro Preto e Couto.
Além das cavernas, conhecemos as cachoeiras: das Andorinhas, do Betarizinho e do Couto. 

Galera animada, amigos queridos e aventureiros no PETAR


Cachoeira do Couto - Núcleo Santana PETAR 

Olha essa piscininha!! Cachoeira do Couto



O Cavalo - Caverna Santana
Vista de paredão de pedra - trilha para cachoeiras Andorinhas e Betarizinho
 Núcleo Santana PETAR
Cachoeira do Betarizinho - Núcleo Santana PETAR 

Cachoeira das Andorinhas - Núcleo Santana PETAR

Ficamos hospedados na Pousada da Tammy, no bairro Serra de Iporanga. Uma pousada simples,mas com um ótimo atendimento, e uma comida deliciosa, preparada especialmente pela mãe da Tammy. 

A região é marcada pelos contrastes: muita riqueza natural e um povo bastante sofrido. E é também rica em história. Os quilombolas da região estão entre os atrativos que podem ser visitados por turistas e amantes da história do país. Já está nos planos uma visita ao Quilombo de Ivaporunduva, que remonta suas origens ao século XVII. 

Na volta do PETAR, passamos no município de Eldorado, para visitar a Caverna do Diabo, mais conhecida como "Shopping das Cavernas". Ela tem uma longa história de exploração turística e por isso conta com uma infra-estrutura que facilita o acesso a suas galerias. Bastante diferente das cavernas que visitamos no PETAR, bem mais rústicas. No entanto, a Caverna do Diabo, que é a maior caverna do estado de São Paulo, é assustadoramente encantadora. Tudo nela parece ter sido lá colocado para surpreender os olhos do turista.
Paredão frontal da Caverna do Diabo - Eldorado -SP

Caverna do Diabo - Eldorado

Bolo de Noiva e suas cortinas - Caverna do Diabo - Eldorado
Bom, o passeio está mais do que recomendado! Para quem gosta de natureza e aventura, bora lá conhecer o PETAR!! 

06 junho 2011

O reino das palavras

É incrível como as palavras me comovem. Como uma poesia, um simples verso, pode me levar às lágrimas. É um ritual. Sim, ouvir poesias faz parte de um ritual de purificação. Não sou eu, mas elas que, surdamente, penetram em mim, e constroem um reino que é pura explosão, que se desfaz em ondas grossas e quentes de lágrimas que banham minha face. E são quadrilhas e canções, Drummond e Clarice, amor e muitas rimas, e Guimarães e Pessoa, e saudades e rebeldias, e Vinícius e Gregório de Matos. 

E são tantas almas na mesma palavra e tantas palavra numa mesma alma. E eu me sinto uma com todas aquelas almas em apenas uma palavra: inquietação! E as palavras fazem de mim tantas: as que fui, as que gostaria de ser, as que desejo esquecer... 

Mas, fato é que as palavras me comovem. E choro sem saber bem o motivo: se de saudade ou de tristeza, se de paixão, de alegria ou de medo. E parece que é de tudo um pouco. E parece que tudo junto é outra coisa que não sei dizer.

*****

Dica da semana


Direto da Praça da língua:

      TABACARIA
    Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

 (Álvaro de Campos)

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias



Epílogos

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta, numa cidade,
onde falta Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.

Notável desventura de um povo néscio,
e sandeu, que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

(...)
E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.
Valha-nos Deus,
o que custa, o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.
(...)
Gregório de Matos

31 março 2011

Será que é pegadinha dos deputados estaduais de SP?

Deu na folhaonline de ontem: Assembleia de SP aprova projeto que dobra número de assessores

"Por 92 votos a favor e dois contra, os deputados estaduais  aprovaram ontem, sem alarde, o projeto que dobra o número de assessores que podem ser contratados por seus gabinetes.
A medida poderá ter um impacto de até R$ 11,2 milhões nos gastos da Assembleia Legislativa só com auxílio-alimentação e refeição, por exemplo, sem levar em conta as despesas com adicionais por férias e 13º.
Só foram contrários à proposta os deputados Major Olímpio (PDT) e Carlos Giannazi (PSOL). A bancada petista --a maior da Casa-- foi uma principais articuladoras da aprovação da proposta.
Com a nova regra, os deputados poderão contratar até 32 assessores, nomeados sem concurso público. Hoje é permitida a contratação de, no máximo, 16."


É minha gente, parece que não há esperanças! Enquanto um acha que dá pra diminuir o número de assessores, tem uns noventa e tantos (só em São Paulo) achando que é preciso dobrar.... E dá-lhe primo, sobrinho, amante, e sei lá mais quem levando nosso dinheiro sem fazer nada! Porque já viu, nomeações sem concurso público, até bisavô que lutou na primeira guerra entra na fila... Não tem como não achar que é farra! E tudo na surdina...



30 março 2011

Virada Cultural 2011 [2]

Para ir entrando no clima!


Agora já saiu a programação completa da Virada Cultural 2011.

Já estou fazendo minha listinha:

(16/04) - 18:00h (Palco Júlio Prestes) - Rita Lee
(16/04) - 00:00h (Palco Barão de Limeira) - Dominguinhos
(17/04) - 12:00h (Palco Barão de Limeira) - Almir Sater
(17/04) - 14:00h (Palco Barão de Limeira) - Renato Texeira
(17/04) - 18:00h (Palco República) - Paulinho da Viola e Orquestra de Cordas de Curitiba

Será que vou ter pique pra tudo isso? Bom, mas ainda tem outras muitas coisas bacanas! Quem se anima???

23 março 2011

Virada Cultural 2011

Está chegando a Virada Cultural 2011! Dias 16 e 17 de Abril, em São Paulo.
A programação ainda não está fechada, mas poderemos acompanhar as novidades aqui. Parece que vai ter Rita Lee e Sepultura esse ano. 

Como eu disse no post do ano passado, Virada Cultural é mais do que shows, bandas, teatro e cinema. Para mim, Virada Cultural é sinônimo também de encontrar os amigos! De passar boas horas conversando, passeando por São Paulo, com uma tranquilidade que não é muito comum. Nesses eventos temos a oportunidade de conhecer São Paulo, os prédios antigos, de poder admirar suas belezas, parados no meio da rua interditada... 

E vai rolar também a Virada Cultural Paulista 2011, nos dias 14 e 15 de Maio. A programação da Virada Cultural Paulista podemos ver aqui. E em Campinas também vai ter Virada Cultural esse ano!

02 março 2011

Pindamonhangaba

Segundo Vasconcelos Cunha (s/data), Pindamonhangaba, mais conhecida como Pinda, ao contrário do que diz a wikipédia, já é uma abreviação do nome original da simpática (e antiga cidade) paulista, Pindamonhangaba, situada no Vale do Paraiba (O Paraíba, segundo Ribeiro (s/data), era um Paraíba mesmo, que estava vindo em direção ao Rio de Janeiro, mas acabou resolvendo ficar ali no Vale, terra boa, onde ele começou plantar café e acabou virando um Barão importante da região. Mas era homem simples e nem fez questão de ser chamado barão, gostava mesmo era de dizer que era o Paraíba do vale. Mas depois que ele morreu, foi o vale que passou a ser chamado de Vale do Paraíba, e deram o nome do rio que atravessa o vale de Paraíba, em homenagem ao homem que começou o povoado naquela região, em algum ponto entre as cidades que hoje são chamadas, Lorena e Guará).

Também segundo Vasconcelos Cunha, esse estranho nome é uma junção de três outros, Pinda, Pamonha e Goiabada. Pinda era o sobrenome de um jovem empreendedor, filho da terrinha, João Maria Pinda, que resolveu criar uma sobremesa bem original a partir de duas das comidas típicas da região, pamonha e goiabada. Naquela época, a cidade ainda não era cidade, era uma paragem, dependente de Taubaté. Mas a sobremesa ficou muito famosa, e a vendinha do Pinda também. Todos os viajantes que passavam pelo Vale do Paraíba, e até que foram bastante, ouviam falar do "Pinda da pamonha e da goiabada". Mas, fama vai, fama vem, de repente (e ninguém tem registro histórico disso) começaram falar de 'Pindapamonhangaba'. E quando a região foi elevada à categoria de cidade, resolveram homenagear o João Pinda. Mas, muito tempo depois, quando veio a estrada de asfalto e o governo tinha que botar placas lá, acharam por bem abreviar o nome, e deixaram só Pindamonhangaba. Passados mais uns anos, com os carros cada vez mais rápidos, acharam por bem deixar só Pinda, para que desse tempo dos passantes lerem a placa (o mesmo aconteceu com Guaratinguetá, que virou Guará).

Bom, deixando de lado todo esse papo estórico, o fato é que esse fim de semana fomos (o senhor Vasconcelos Cunha, meu namorado, e eu, Ribeiro) passear em Pindamonhangaba (Fomos para o casamento de uma amiga minha e aproveitamos para passear um pouquinho). Eu conhecia a cidade só de passagem. Embora Delfim Moreira seja relativamente perto de Pinda, e eu tenha mais de um amigo de lá ou/e morando lá, nunca tinha visitado a cidade. E embora vá falar de alguns (poucos) lugares que conheci, espero voltar lá para continuar as descobertas sobre essa simpática cidade.

Devo dizer que tive uma boa impressão dos pindamonhangabenses. Pessoas receptívas, alegres e prestativas. E a cidade em si é bem bonita. Como ela é bem antiga, tem várias construções do século XIX. Fomos visitar uma em especial, o Palacete Visconde da Palmeira, que hoje abriga o Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e D. Leopoldina. A construção é belíssima e, apesar de gigantesca, era apenas uma casa de fim de semana do Visconde da Palmeira. A vista do quarto do Visconde é nada mais do que a Serra da Mantiqueira, uma beleza sem fim. Fiquei imaginando o que era abrir a janela daquele quartinho e dar de cara com aquela serra deslumbrante. Ah, logo abaixo do Palacete tem um bosque, O Bosque da Princesa, que o Visconde da Palmeira teria feito especialmente para a princesa Isabel, quando ela passou pelas rendondezas, no ano de 1868.

Atualmente, o Museu abriga a exposição Egito Antigo - Mitos e Símbolos, do artista plástico Eduardo Vilela (Parece que a exposição Egito Antigo já esteve lá no ano passado. Veja algumas imagens aqui). Além disso, o museu também abriga uma exposição permanente de fotos antigas de Pinda. Infelizmente não tivemos tempo de olhar com calma as fotos, porque o museu estava fechando...

Bom, fica a dica de uma cidade que tem muita história pra contar e que merece ser visitada e conhecida! Espero voltar em breve para explorar mais a cidade e a região (quero conhecer o Sítio do Picapau Amarelo, em Taubaté, terra de Monteiro Lobato).


PS 1. O sernhor Vasconcelos Cunha e eu não temos uma câmera fotográfica, por isso não pude tirar fotos da cidade, outro motivo para voltarmos lá, de preferência quando tivermos sanado essa falta.


PS 2. O casamento da minha amiga estava uma delícia! Nós nos divertimos bastante!

06 fevereiro 2011

Visitas!

Foi um daqueles fins de semana memoráveis: reuniões de amigos em casa! Aquela conversa gostosa, muita risada, abraços, umas cervejinhas, muitas lembranças (boas e nem tão boas, outras engraçadas, pelo menos hoje); atualizações, fofocas, mais risada, sorrisos, comida boa, e uma sensação de que tudo isso vai durar por muitos anos.

Como é bom ter amigos. Na verdade, nunca estou certa de que 'ter' seja o melhor verbo. Melhor dizer como é bom ser amigos! Tenho certeza de que terei uma semana renovada. As energias se renovaram. Um ritual foi feito, bem feito. O ritual da cumplicidade, do olhar que sorri, das palavras que se completam, das risadas em harmonia, das muitas histórias que ainda vamos construir.

Casa cheia! Sim, a casa é pequena, mas sempre cabe mais um e mais três. Colchão espalhado pelo chão; afasta umas cadeiras, empresta uns banquinhos e meia dúzia de pratos. Compra mais cerveja. E todo mundo na cozinha: um lava prato, outro corta tomate, e vale a companhia e vale as piadinhas. Um movimento fora do comum, quase uma fila pro banho. E já são três da manhã.

Cansados, mas felizes! Com a certeza de que esses anos construíram uma amizade verdadeira!

Que venham outras e outras visitas! Mais café, mais tapioca, mais feijão e quibe de soja; Outras mímicas, mais passeios, mais algumas cervejinhas. A casa nunca será tão grande que não possa ficar cheia dessa alegria, e nunca será pequena pra que não caiba mais um colchão. E muitos brindes à amizade e 'ao sistema de educação que nos uniu"!!!!

18 junho 2010

Ano de eleição, Murphy e essas coisas da vida do cidadão comum

Recebi o texto abaixo por email. A pessoa que escreveu me disse que foi num momento de revolta. E nem preciso entrar em detalhes sobre os motivos de tal sentimento. Lendo o texto, que eu até ousaria dizer tem uma boa pitada de humor, vocês vão entender. Agora, realmente, é difícil entender como é que muitas pessoas, todas as pessoas, não ficam revoltadas vendo as propagandas que esses senhores fazem na TV, no rádio e em todos os lugares que conseguem, de um Brasil que está cada dia mais parecendo um paraiso. Onde tudo funciona: transporte coletivo, saúde pública, educação. São tantos números e mais números de investimento nisso e naquilo, que parece mesmo que ninguém tem motivo pra reclamar de nada. Mas, para algumas pessoas, talvez aquelas pelas quais Murphy tem um carinho especial e, nesse caso, o senhor Murphy parece ser um cara de coração bem grande, esses benefícios todos não são assim tão generosos quanto as estátisticas dos horários políticos...


Caros amigos,

Quinta-feira, 17 de junho. Estou voltando ao trabalho e ainda mantenho o rádio ligado, mesmo com o horário eleitoral. Mantenho ligado para perceber que eu sou mesmo muito azarada. Onde eu vivo? Em que mundo? Por que as coisas ruins têm que acontecer justo comigo?

Agora está passando o currículo do presidenciável José Serra, com todos seus feitos como ministro da Saúde, prefeito de cidade de São Paulo e governador do estado. Ele fez tanto pela população, principalmente no que diz respeito à saúde. Pela forma que foi dito, nada mais precisa ser feito, agora é só manter! Não existe mais espera de meses e até anos para simples consultas, temos vários laboratórios especializados, AMEs que funcionam maravilhosamente bem!

E é aqui que mora o meu problema, estou ficando desesperada. Como Murphy pode cair em cima de mim de tal forma? Sempre que procuro por algum serviço de saúde não sou bem sucedida. Se não é comigo, é com meu irmão, minha mãe ou algum familiar – teria vários casos para contar, mas vou poupar vocês desta parte enfadonha.

Pessoal, eu estou precisando de ajuda! Por favor, mandem bastante energia para que eu saia deste azar astrológico, karmico, geográfico, ou sei lá o que, e consiga ver o Brasil maravilhoso que esses políticos pintam. Sem contar que eu preciso de um dermatologista, e tentarei marcar na semana que vem, pois eu também tenho direito a um sistema de saúde de qualidade!


Energia, não se esqueçam!


Beijos e um ótimo final de semana

(texto escrito por Ana Paula Rocha - Mestre em Demografia pela Unicamp e minha amiga querida!)

10 junho 2010

Viajar é preciso!

Feriado (com um pouco de atraso): Amparo/ Serra Negra
(atualizado!)

Aproveitando o feriado prolongado, resolvemos explorar as vizinhanças de Campinas. Fomos conhecer Amparo e Serra Negra. Ficamos hospedados em Amparo, uma simpática cidade, cuja simpatia das pessoas no trânsito nos deixou bastante impressionados. Com poucos semáforos e muitos carros nas ruas, as pessoas são gentis, não buzinam, e quando vêem alguém na faixa de pedestre, param o carro e se você, como nós, hesita em atravessar, assustado com a rapidez que eles pararam, lhe dão sinais com a mão, confirmando que a passagem está liberada.

Numa tarde andamos por quase toda a cidade. Fomos até o Cristo de onde se tem uma vista muito bonita da cidade. Visitamos uma fonte, de Nossa Senhora de Amparo, e passeamos pelo Parque Linear ao longo do qual encontramos quiosques, parquinhos, quadra de futebol, pista de skate e uma academia ao ar livre. À tarde tomamos um chopp e comemos um pastel muito bom (pastel de queijo com queijo de verdade), na Pastelaria Copa de Ouro.
À noite foi difícil encontrar algum lugar pra comer, mas descobrimos, lá perto da Matriz, uma pizzaria bacana, Rovigo, com uma pizza muito boa.

Sábado e domingo foram dias de passear em Serra Negra. Subimos a Serra com um pouco de neblina e um dia fechado, com cara de chuva. Mas tivemos sorte, e a cara feia do tempo foi embora, e nos permitiu passar bons momentos em Serra Negra. O forte da cidade é o comércio de malhas e de couro. Muitas lojas, muita gente e muitas sacolas. Mas, novamente, surpresa: sem nenhum semáforo, o trânsito funciona na base da gentileza. Mas é lento. A melhor opção é encontrar um canto pra estacionar e andar a pé. A cidade é pequena. E tem várias coisinhas bacanas para se fazer. Andamos no miniférico, que vai do centro da cidade, próximo a rodoviária, até o Cristo (sim, outro Cristo!). E é alto, e tava um friozinho.. E eu com medo de perder meu sapato. Imagina se ele cai lá de cima, no meio do mato... Ia ser uma beleza. Como disse meu namorado, eu teria uma desculpa para comprar outro sapato, já que opções é que não faltavam naquelas lojas de artigos em couro.. Mas o sapato não caiu!

Também fizemos um passeio de 'trenzinho' pela cidade. E fomos conhecer o Parque Sto. Agostinho, com duas fontes de água mineral.
Próxima parada foi a Disneilândia dos Robôs, um lugar super interessante, principalmente para criança, ou para adultos que ainda cultivam sua criança interior. Ele é quase um Castelo Ra-Tim-Bum. Robôs pedalando, bolinhas que sobem e descem, e umas bugigangas engraçadas. Se forem para Serra Negra, recomendo que passem pela Disneilândia dos Robôs.

E o friozinho pedia, então fomos tomar um capuccino na Brazillian Coffe. Que delícica de capuccino cremoso. Estava lotado, mas fomos bem atendidos. O café deu aquela aquecida, e continuamos andando.
No fim da tarde, fomos tomar um chopp acompanhados de uma amiga, que é de Serra Negra, e o namorado dela. Conversa agradável num ambiente tranquilo, com som baixinho, mas que estava lotado. Um dos points da praça da prefeitura, o Café-Boteko é um lugar muito bacana, atendimento bom, chopp Brahma bom, e mandioca frita muito boa!

Voltamos para Amparo, estava um super friozinho. Estávamos cansados, mas planejando mais passeios para o dia seguinte. Voltamos cedo no domingo para Serra Negra. Assistimos a apresentação de uma bandinha no palco da praça da prefeitura. Muito agradável. Depois fomos até o Alto da Serra. Nossa, amei o lugar, que vontade de ficar lá em cima! Aquela vista é muito bonita. Ver as cidadezinhas lá longe, tudo pequenininho...

Já era hora de almoçar e voltar pra casa. Resolvemos ir conhecer um lugar chamado Lago dos Macacaquinhos ou Macaquinhos Turismo, como algumas placas indicavam. No entanto, infelizmente, não foi uma experiência muito legal. O lugar tem algumas atrações: passeios de cavalo - num espaço bem reduzido-, uma pequena tirolesa, uns pedalinhos, alguns animais- coelhos, gansos, e os macaquinhos, numa pequenininha ilhazinha. Mas a decepção foi com a comida... Bom, o lugar é bonitinho, mas não aconselho ninguém a ir almoçar lá não...

No balanço geral, o feriado foi uma delícia. Infelizmente não tínhamos uma máquina fotográfica.. Mas aproveitamos bastante. E outra, viajar com boas companhias, no caso, como meu namorado, é sempre muito bom e divertido. Já estamos planejando o próximo passeio.

11 maio 2010

Virada Cultural 2010


Está chegando, 15 e 16 de maio, em Sampa. Ano passado não fui, mas em 2008 foi muito bacana. Virada Cultural, para mim, além dos shows e de toda programação: música, dança, cinema, teatro - que você pode conferir aqui-, tem gosto muito bom de encontrar os amigos! Sim, já estamos todos agitados, e-mails, recados no orkut, telefonemas, chamando todo mundo. Tem coisa mais legal do que encontrar velhos amigos muito queridos e assistir vários shows de graça? Não! Estou ansiosa! E dá vontade de poder estar em vários lugares ao mesmo tempo...Bom, mas não dá, então o jeito é se programar!

Em 2008 assisti o show do Pena Branca, no Mercado Municipal, um presente! Infelizmente esse ano ele partiu, então, foi muito bom tê-lo ouvido lá, tocando viola, aquelas músicas que têm cheiro e gosto de infância, família, casa da vó.

Gente, esse ano vai ter Palavra Cantada! E The Temptations: I've got sunshine/On a cloudy day./When it's cold outside, /I've got the month of May./

Bom, para quem não gosta da muvuca, ou não poderá ir para São Paulo, uma opção será acompanhar a programação da Virada Cultural 2010 pela TV Cultura. O importante é ficar ligado nas possibilidades e aproveitar a programação!

21 abril 2010

Primeira impressão numa enésima vista

Nessa cidade barulhenta
tão cheia de todas as gentes,
de carros, skats e apitos.
Nessa cidade me perco,
não me reconheço,
sempre olho,
sempre esqueço.

Nessa cidade cinza
com seus pontos verdes,
são praças e largos
e suas ruas cheias de vidas estreitas
e suas janelas altas
de onde tantos estão a espreita...

Nessa cidade louca
me vejo pequena,
quase insana,
são tantas tribos
são tantos planos,
ou simplesmente vidas,
sem rumos...

Nessa cidade suja - Ah, pobre cidade de gente que te suja!
são latas, papéis, paredes,
pensamentos..
Nessa cidade grande,
nessa grande cidade,
meus olhos ardem,
respiro com dificuldade,
a boca seca,
e tudo isso não é emoção,
apenas,
mas é poluição,
que pena!

11 dezembro 2009

Alerta - Criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira

As informações não são abundantes. Mas muita gente está com medo.
O projeto de criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira abrange três estados - São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro - dezesseis cidades: Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Cruzeiro, Guaratinguetá, Lavrinhas, Pindamonhangaba, Piquete, Queluz e Santo Antônio do Pinhal (SP); Delfim Moreira, Itamonte, Itanhandu, Marmelópolis, Passa Quatro e Virgìnia (MG) e Resende (RJ). Quem é responsável por isso é o Instituto Chico Mendes.
Estão acontecendos consultas públicas nessa região. No entanto, as notícias continuam confusas..
Infelizmente estou longe de casa (Delfim Moreira), mas gostaria muito de saber exatamente o que está acontecendo. No projeto não se fala em desapropriação de terra, mas são essas as histórias que têm circulado pelas secretarias de meio ambiente das prefeituras dos munícipios acima listados.

Reconheço a importância de preservação de áreas como a da Mantiqueira, mas temo pelas consequências sociais-econômicas para os munícipios cujas terras constituirão esse parque. Li reclamações e denuncias de descuidos e abandono, bem como práticas ilegais de extrativismo e caça de animais silvestres em áreas de parques já existentes. Algumas pessoas alegam que as autoridades competentes não têm sido tão competentes assim na preservação dessas áreas.
As perguntas que ficam no ar é sobre o impacto da criação desse parque no dia-a-dia das comunidades locais. Falta de emprego? Deslocamento de famílias - para onde? Indenização para os proprietários que terão suas terras desapropriadas? Será mesmo que será pago? E o valor?
Como será a fiscalização e manutenção dessa área após a criação do parque? Os munícipios terão responsabilidades, gastos?


Sou completamente contra teorias de conspiração. Mas também acho muito esquisito o fato de decisões tão importantes como essas serem tomadas sem uma divulgação e conscientização ampla das comunidades locais. Só agora, em estágio bastante avançado do projeto, essas comunidades estão sendo 'consultadas'. No entanto, a divulgação dessas consultas ainda está sendo restrita e precária.

Gostaria de pedir ajuda para os amigos: informações sobre situação atual dos Parques Nacionais existentes; informações da região, das consultas que estão ocorrendos nos municípios, e o que for de interesse para o assunto!

A Serra da Mantiqueira é linda! Amo esse lugar! E me preocupo com o futuro dessa região, e com as pessoas que podem ter suas vidas bastante alteradas mediante a criação do Parque.


Ver: Vnews;ViaLegal; Band; Folhafluminense;

28 abril 2008

Virada

Uma cidade muito simpática e alegre. Cheia de vida, de música, de arte em geral, com direito a arco-íris num céu limpo, muito azul, numa manhã de domingo. Foi mágico...


Dificilmente terei palavras para descrever os maravilhosos momentos que passei em São Paulo nesse último fim de semana. Infelizmente não passei sem presenciar uma briga, ou sem dar com os olhos em dezenas de homens, mulheres e crianças que tiveram "suas casas", as ruas do centro histórico de São Paulo, invadidas por milhares de pessoas barulhentas, que caminhavam de um palco para outro, despreocupadamente... pelo menos era o que parecia, atras das muitas atrações que tomaram conta da cidade mais agitada do Brasil.


Os metrôs, que trem massa! A caipira que me habita e que sou ainda, tão pouco acostumada com ruas tão movimentadas, com aquele fluxo de gente passando catracas de um lado para outro, subindo e descendo escadas, ficou deslumbrada com a eficiência e a buniteza dos metrôs de São Paulo. Não foi a primeira vez que os vi, mas o encantamento foi grande como se fosse...


"Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João, é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi (...)"

é, acho que só dá pra entender o Caetano passando lá mesmo! Nem preciso dizer que fiquei emocionada...


E o Mercado Municipal? O que dizer daquele lugar? Não resisti ao famoso pão com mortadela, e fiz bem em não ter resistido... É preciso experimentar (...) não dá pra passar por lá sem o fazer. O melhor de tudo foi ouvir Pena Branca, cantando Cuitelinho, e depois Mocinhas da Cidade. Eita, esse coração mineiro derreteu-se em lágrimas. Foi bonito demais.



Deu até pra dar uma espiadinha na igreja do Mosteiro de São Bento, com direito a ouvir o raro som do orgão. De repente parecia que estavamos em outro mundo, cada detalhe, cada palavra...


Não foi dessa vez que entrei no Teatro Municipal. Só mesmo a grandeza e a imponência da arquitetura ficou registrada. Mas ainda volto lá...


Piano na praça! Dá pra acreditar?? Claro que dá! O que não dá pra acreditar é que não se faça muitas outras vezes se repetir isso... Como não seria melhor a vida das pessoas se mais vezes fosse invadida pela beleza da arte em suas mais diversas expressões... Não havia medo ou insegurança nos rostos que encontrei pelas ruas. As pessoas sorriam. As pessoas conversavam com os que chegavam ao seu lado nas filas... pediam informações sem receio para os que circulavam a sua volta... Talvez, e eu ficaria feliz que assim o fosse, todas essas coisas sejam mais comum do que eu imagine. Talvez seja apenas minha ignorância, meu "pre-conceito" com a cidade de São Paulo, pelo medo que a sua grandiosidade me desperta, porque ainda agora me disperta tal sentimento, que tenha criado uma imagem sombria, fantasmagórica, fria... Mas agora quando eu pensar em São Paulo essa primeira imagem será apenas a sombra de uma cidade receptiva, bonita, quente...


Aos amigos que me proporcionaram esse encontro tão saboroso, meu muito obrigada!!! Com toda certeza vocês contribuiram para que esse fim de semana fosse muito especial!!
(escrito em 28/04/2008)

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