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16 julho 2019

A escola, a capacidade de se sonhar e a urgência de políticas públicas eficientes na Educação

Quatro convicções acerca da Educação

Mais um mês de julho, mais um início de férias. Eis que me pego perguntando por que tenho tanta dificuldade de descansar, de parar, de aproveitar “as férias”. Na maioria das vezes, inicio o mês de julho com uma lista de coisas a fazer e dessa vez não foi diferente: livros para ler, textos para escrever, projetos para o próximo semestre escolar, rever planos de aula, etc. Durante esta tarde me pus a pensar sobre os motivos para esse comportamento. Tirando o fato de que a maioria dessas atividades me são imensamente prazerosas, cheguei a uma possível explicação. Por vota dos meus 13 anos, o mês de julho e também os meses de dezembro e janeiro – meses de férias escolares – começaram a significar período de trabalho. Comecei trabalhar no comércio, cobria férias de funcionários de uma loja ou simplesmente era chamada para cobrir maior demanda de período de natal. Julho, dezembro e janeiro passaram a ser sinônimo de período de trabalho! Depois, durante a faculdade, os meses de férias coincidiam com os períodos de entrega de relatório, portanto, mais trabalho. Talvez no meu subconsciente essa informação tenha permanecido até hoje – quando finalmente parece que passou ao nível da consciência – fazendo que, como observou certa vez meu companheiro, eu tivesse um sentimento de culpa que me impedisse de desfrutar minhas férias. Quem sabe, daqui pra frente as coisas mudem. Como mudou minha vida, desde que eu tinha lá meus 13 anos. Já naquela época, eu tinha sonhos de frequentar uma faculdade, de morar em outra cidade, de fazer coisas que ninguém até então havia feito na minha família. Lembro bem que, naquela época, eu queria ser advogada. Depois, quis ser jornalista, psicóloga, historiadora e eis que estou aqui, professora de filosofia, de férias! 

Foto gentilmente cedida pela dona Nenê
De onde vieram os sonhos?  Como eles puderam se tornar realidade? E o quanto isso mudou minha vida? É sobre isso que gostaria de escrever hoje. Foi na Escola Estadual Marques de Sapucaí, em Delfim Moreira, que descobri a existência das Universidades Públicas. Mais precisamente, nas aulas de matemática, ministradas pelo professor João Viana, que desde a 6ª série nos falava dessas instituições (EFEI – hoje UNIFEI, ITA, USP e tantas outras). Ao longo da nossa trajetória escolar – João Viana acompanhou minha turma da 6ª série até a formatura no Ensino Médio – foram muitos os exercícios desafios dessas instituições inseridos em nossas provas, listas de exercícios, pontos extras durante as aulas. E não eram só os exercícios. Eles eram acompanhados de discursos de um velho professor – que havia dado aulas para minha mãe – rígido e apaixonado pelo que fazia, que sempre falava da imensa satisfação que sentia quando um de seus alunos passava no vestibular. Certa vez, já estava no Ensino Médio, durante a aula, um ex-aluno apareceu na porta da sala de aula, todo sujo de ovo e trigo para dizer que havia sido aprovado na EFEI, no curso de engenharia elétrica. A alegria do João não podia ser mais sincera. Eu alimentei o sonho de um dia fazer o mesmo: ir até o professor contar que havia sido aprovada no vestibular. E pude fazê-lo anos mais tarde, quando ele já estava aposentado. Infelizmente, no dia que sai meu resultado de aprovação na Unicamp, ele estava internado, mas fiz questão de ligar para sua casa e pedir para sua esposa que lhe contasse a novidade. Mas esse sonho só se tornou realidade, porque além do professor João eu tive muitos outros professores e professoras que, de maneiras distintas, me ensinaram a sonhar com uma realidade que, por muitos motivos, teria sido impossível sem eles. Preciso recuar um pouco. 

Meus pais estudaram muito pouco, mas foram muito além do que as gerações anteriores de suas famílias. Meus avós, maternos e paternos, eram semianalfabetos, não frequentaram escolas. Meu pai tem a 4ª série primária – ensino fundamental I. Minha mãe estudou até a 7ª série (fundamental II incompleto). Meus tios e tias, mais velhos que ela, não passaram da 4ª série, como meu pai, que é um dos filhos mais velhos. Minha mãe só pode chegar até a 7ª série, porque com 10 anos passou a morar na cidade, para cuidar do meu avô que fora trabalhar numa pedreira. Enquanto minha avó permaneceu na roça, cuidando de meus tios e dos serviços da lavoura, do leite, minha mãe, uma criança, lavava, cozinhava, cuidava de uma casa e do meu avô, e pôde estudar. Mas quando meu avô decidiu voltar para a roça, minha mãe foi obrigada a parar de estudar.
Minha casa não tinha livros. Minha casa era muito simples. Felizmente não passamos necessidade, mas tive uma infância pobre (eu tive consciência disso precocemente, aos 10 anos eu sabia que éramos pobres, isso me gerou alguma revolta e também vergonha da nossa condição). Eu convivia, na escola, com pessoas que tinham uma situação muito melhor que a nossa: filhos de professores, dos donos de comércio da cidade, filhos do prefeito. Hoje sei o quanto essa convivência contribuiu para enriquecer minhas experiências, apesar do sofrimento, do desconforto e revolta que por vezes experimentei. Para alguém que nem TV tinha em casa durante parte da infância, conviver e frequentar casas que tinham vídeo cassete, tv parabólica e muitos livros, era algo que gerava sentimentos confusos para uma criança e depois uma adolescente. Mas graças a esse convívio, tive acesso a coisas que, de outra maneira, não saberia da existência. E tudo porque em Delfim Moreira só existia uma escola, pública, e todas as crianças, fossem filhas de trabalhadores pobres ou filhos do prefeito, ali iriam estudar. Dessa experiência vem uma das minhas convicções mais radicais a respeito da Educação: i) a educação básica deveria ser unicamente pública. Se não está claro, reformulo: não deveria existir escola privada de ensino básico, deveria existir um único sistema e ele deveria ser totalmente público.
A escola Marquês de Sapucaí dos anos 90, hoje tenho certeza disso, era uma escola inovadora. Tive professores maravilhosos: criativos e que gostavam de desafios. Eram tantos projetos e atividades realizadas ao longo do ano letivo: feiras de ciência, feiras culturais, projetos comemorativos, como dos 500 anos do descobrimento do Brasil, as semanas comemorativas, com música, apresentações de dança, teatro, torneios esportivos, participação em concursos de redação. Tenho muitas lembranças boas da minha vida escolar. E tudo isso era feito ao mesmo tempo que tínhamos aulas bem tradicionais – lousa e giz, listas de exercícios, provas, aulas expositivas – tudo junto e misturado. Dessa experiência vem outra das minhas convicções sobre Educação: ii) a disputa entre escola tradicional x novas metodologias é um falso problema. O maior erro que se pode cometer em Educação é querer estabelecer um caminho único quando a questão é metodologia. Uma educação de sucesso muitas vezes é resultado de mesclas; há espaço para professores com aulas expositivas, com projetos e tantas outras possibilidades de metodologias ativas, com listas de exercícios e provas ou com avaliações orais. Quanto mais diversificada, maior o ganho para o aluno. João Viana era um professor tradicional; Elenice Lorena também; Ana Paiva, Stela Mara gostavam de projetos, de feiras, teatro. E eu aprendi com todos (e são tantos professores, se não os cito nominalmente a todos é porque não haveria espaço. Mas meus professores terão sempre minha gratidão, meu respeito e a maior de todas as homenagens: me tornei uma de vocês!).
             A jovem deputada federal Tábata Amaral (que tem uma história de vida inspiradora e com a qual muito me identifico) outro dia publicou em sua coluna no Nexo Jornal um texto com título polêmico: A escola pública é cemitério de sonhos no Brasil. Muito gente, inclusive professores, ficou brava com a deputada. Uma pena. O texto vai no coração de um dos nossos maiores problemas: os jovens que frequentam as escolas públicas, em sua maioria, não aprendem a sonhar, a se sonhar. Em 2012, depois de passar num concurso público, iniciei meu trabalho como professora de filosofia na rede pública estadual de São Paulo em Campinas. Foi um baque. Meu ideal de escola era a Marquês de Sapucaí dos anos 90. Mesmo depois de fazer estágio, eu permanecia apegada àquela ideia de escola. Mas Campinas não é Delfim Moreira e a escola pública hoje está cada vez mais distante daquela escola da minha memória. Escola pública em Campinas – hoje sei que essa é a realidade da maioria do país – não tem aquela heterogeneidade que eu experimentei. O filho do prefeito não passa nem perto do portão de uma escola estadual. Os filhos dos professores, com raras exceções, também não. Há um distanciamento muito grande entre professores e alunos. Explico: distanciamento social; os alunos muitas vezes são vistos como “um tipo de gente” com o qual se perde tempo, pois “eles não têm jeito”, “não querem saber de nada” e, com sorte, “serão caixas de supermercado”.
            Antes de concluírem que os professores da escola pública são pessoas abomináveis, preciso dizer que a realidade é muito mais complexa e que não é tão fácil assim. Tive um choque inicial que me faz carregar a tinta desse quadro – hoje estou consciente disso. Quando comecei a lecionar, era jovem demais (como muitas vezes colegas me disseram em tom de reprovação em relação as minhas atitudes de revolta e insatisfação com a maneira como as coisas funcionavam – ou não funcionavam, na maioria das vezes). Era otimista e inconformada. Acreditava que as coisas podiam e deveriam ser diferentes. Muitas vezes fiz julgamentos duros em relação aos meus colegas. Depois de um tempo, pude entender melhor, não aceitar, nem compactuar com atitudes que continuo entendo como erradas. Vinte anos, trinta anos sendo maltratado, com salários baixos, com condições de trabalho ruins, sem reconhecimento da sociedade, sendo apenas cobrado por resultados e atacado como único responsável por um alardeado ‘fracasso’ da Educação brasileiro, o resultado não poderia ser outro. Cinco anos na rede estadual me convenceu de que a escola pública é um cemitério de sonhos não só para alunos, mas também para os professores. Há exceções! Há muitos exemplos de professores e alunos que apesar da realidade massacrante fazem coisas maravilhosas e sonham e realizam sonhos. No entanto, essas conquistas, que têm muito mérito, são feitas a custas de muitos esforços, hercúleos, eu diria. Que não podem ser usados como regra. Tábata Amaral, eu mesma, e tantos outros, inclusive ex-alunos meus, somos exceções. E seria muita irresponsabilidade não lembrarmos isso quando querem nos usar como exemplos de que basta se esforçar. Dessa experiência extrai outras duas convicções sobre a Educação: iii) não podemos naturalizar os esforços louváveis que tantos professores e professoras fazem hoje, apesar das condições a que estão submetidos, para realizarem trabalhos de excelência e fazer a diferença na vida de tantos jovens; de forma resumida, o magistério não pode ser encarado como uma profissão de fé ou exercício vocacional;  e iv) não é justo exigirmos que tantos jovens, porque nasceram em famílias pobres, em famílias não letradas, sem acesso à bens culturais, tenham que se esforçar cem, duzentas, mil vezes mais do que outros para ter direito a sonhar e a realizar sonhos. Em outras palavras, a alardeada meritocracia só faz sentido quando, de fato, as pessoas têm oportunidades iguais.
            Um debate sério sobre Educação, um compromisso verdadeiro com a qualidade da Educação brasileira hoje passa muito longe dos espantalhos criados por esse governo, principalmente, pelo atual ministro da educação. Em primeiro lugar, é preciso encarar a urgência de se dar dignidade aos professores; discutir plano de carreira, salário e qualificação não pode ser tabu. Em segundo lugar, as disputas metodológicas não podem se dar na direção do ou isto ou aquilo; demonizar a escola tradicional, as aulas expositivas, como se fez no âmbito das discussões da reforma do ensino médio e da BNCC, não irá resolver nossos problemas. Em terceiro lugar, palavras como gestão e eficiência não podem ser rotuladas como sendo de um espectro político (coisas da direita, como parece ser o caso atualmente); defendo o aumento dos investimentos em Educação, mas defendo também a racionalidade dos usos desses investimentos, a criação de mecanismos de acompanhamento das equipes gestoras, inclusive com maior autonomia financeira e administrativa para diretores de escola.
Para finalizar, retomo minhas convicções sobre a Educação apresentadas nesse já longuíssimo texto: i) a educação básica deveria ser unicamente pública; ii) a disputa entre escola tradicional x novas metodologias é um falso problema; iii) o magistério não pode ser encarado como uma profissão de fé ou exercício vocacional; iv) a alardeada meritocracia só faz sentido quando, de fato, as pessoas têm oportunidades iguais.
É julho. Metade de um ano muito difícil para a Educação já se foi. Mas não temos tempo a perder, nem tempo para lamentar. É preciso seguir firme em nossas convicções em prol de uma Educação Pública de qualidade para todos. Seja na sala de aula, no dia a dia da escola, ou no Congresso, na Assembleia, com aqueles que se apresentam como nossos aliados no trabalho incessante pela construção de outra realidade. É julho, é férias, e para mim é tempo de estudar mais, ler mais e me preparar melhor para os desafios do próximo semestre. 

Texto originalmente publicado no Diário do Engenho

Esse texto foi escrito antes da votação da reforma da previdência, portanto, antes da deputada Tábata Amaral votar a favor da mesma, contrariando seu partido, o PDT, e contrariando também a minha compreensão do assunto. Em breve esse blog terá um texto sobre a questão. 

02 julho 2018

memoriando

Era uma casa simples,
a sala pequena,
os quartos escuros e de noite ouvia-se madeira estalando e rangendo
[seriam fantasmas? aqueles das histórias contadas
na taipa do fogão de lenha antes de ascender a lamparina?]
Era uma casa grande,
com cheiro de comida de vó
e abraço e beijo de vô,
era uma casa
no sertão.

 IFSP-Capivari, 26/06/18

25 maio 2013

Orgulho da minha terra!

Olha só que notícia boa: um jovem estudante da Escola Estadual Marquês de Sapucaí, de Delfim Moreira, ficou em 1º lugar, no estado de Minas, e em 6º lugar entre os participantes do Brasil inteiro, num concurso de redação promovido pelos Correios. A reportagem é emociante! Veja aqui. E tem mais aqui.
Parabéns ao Luiz Augusto! Parabéns aos professores da Marquês que se empenham em promover talentos e construir conhecimento de verdade. Coisas assim me deixam muito orgulhosa de dizer que estudei na Escola Estadual Marquês de Sapucaí! 

07 janeiro 2013

Sobre escolas e escolhas

Eu sempre estudei em escola pública e digo isso com orgulho! Toda minha educação básica foi feita na Escola Estadual Marquês de Sapucaí, de Delfim Moreira, MG. Bons tempos aqueles! Eu tive professores que fizeram diferença na minha vida. Professores que se importavam. Professores que se respeitavam. Professores que se fizeram dignos diante dos meus olhos. Nem sempre eu fui justa com eles. Nem sempre eu soube entender suas atitudes. Mas, de algum jeito, eu sempre soube admirá-los e respeitá-los. Eles conseguiram me fazer entender a grandeza dessa profissão, hoje a minha profissão. 

Esse ano de 2012 entrei na rede estadual de São Paulo como professora efetiva de filosofia. E faço questão de dizer para os meus estudantes que eu sempre estudei em escola pública e que me formei numa das melhores universidades do país, a Unicamp. É bom notar que não digo isso a fim de afirmar nenhuma superioridade em relação a colegas formados em outras instituições, públicas ou privadas, mas apenas com o intuito de fazê-los acreditar que é possível ingressar numa boa universidade pública de ensino superior, tendo estudado sempre em escolas públicas. 

Com todos os problemas e as dificuldades que os professores enfrentam hoje, eu ainda tenho a pretensão de fazer a diferença na vida de algumas pessoas, assim como os meus professores fizeram na minha vida. Estou longe de acreditar que a filosofia por si só é capaz de mudar a educação, como alguns alardeiam por aí. A disciplina que escolhi tem sim um papel privilegiado dentre as demais ao permitir mais espaço para a conscientização do estudante de seu papel enquanto cidadão ou para provocá-lo a respeito de problemas de ordem ética ou epistemológica e tantos outros. No entanto, os professores que mais marcaram minha vida não o fizeram por causa da disciplina que ensinavam, mas pela atitude como professor, pela honestidade com que se apresentavam diante de mim, pela paixão que conseguiram transmitir naquilo que faziam, pelo respeito e compromisso, pelo entusiasmo, apoio e incentivo que me foram dados. Independente da disciplina, da matéria que lecionavam, eu tive professores que abriram meus olhos, ampliaram meus horizontes e me fizeram acreditar em grandes sonhos e, juntamente com isso, se esforçaram por colaborar com a realização desses sonhos. 
Tenho alguns colegas hoje que também me servem de inspiração. Pessoas que, apesar de todos os empecilhos, de toda desvalorização e precarização da carreira de professor, não fazem disso desculpa para serem medíocres. 
Eu ainda tenho dúvidas quanto ao meu futuro profissional. Ainda tem escolhas para serem feitas. Mas, neste momento, estou consciente do compromisso que assumi com os meus estudantes. Espero conseguir fazê-los perceber o que eles têm de melhor e o quanto são capazes de mudar suas próprias histórias. 


*Quando eu escrevi esse texto, no início de 2012, eu estava num momento Pollyanna. Não sei quanto tempo ele vai durar, mas espero que o suficiente para ter mais um bom ano!

25 junho 2011

Da série: "Coisas que só acontecem em Minas" - Parte I

Faz já um tempo que penso em registrar algumas particularidades da minha terra e da minha gente, mas sempre penso que ainda não tenho material suficiente para escrever algo que valesse a pena ser lido. No entanto, hoje, num repente enquanto tomava banho, tive a ideia de fazer por partes. De ir escrevendo de acordo com o que eu lembrasse ou com o que me inspirasse. Duas coisas hoje ficaram rondando minha cabeça.

Lembrei-me da primeira vez que disse 'empinhocado' aqui em Campinas, para as meninas que moravam comigo. A cara delas foi de espanto e a pergunta foi imediata: o que é isso, empinhocado? E eu fiquei pensando: empinhocado é empinhocado, uai. Mas fui explicar.
É que lá em minas os lugares não ficam cheio de gente, por exemplo, o circular interno Moradia-Unicamp era empinhocado de gente. Ou seja, o povo fica lá, um por cima do outro, parecendo pinhão na pinha....


A minha frase, na época, foi assim: "Nossa, o povo vem tudo empinhocado no motorista..."
Traduzindo: O povo vem todo amontoado, um monte de gente em cima do motorista;

A segunda coisa foi que lá em Minas as pessoas não ficam ocupadas, elas ficam cochadas. Bom, lá também a gente cocha o parafuso! Ou seja, aperta o parafuso; Mas toda vez que eu falo de cochar um parafuso tem sempre alguém pra fazer piada ou rir de mim e perguntar: fazer o quê?

Bom, mas voltemos ao estar cochado. Talvez pra ouvir essa expressão você precise desbravar os longínquos recantos das terras do sul de minas, lá nos sítios e fazendas, mas que é assim é. Acho que a ideia é a seguinte: você tem tanta coisa pra fazer, tantas tarefas, tanto trabalho, que você imagina que seu corpo vai ficar todo cochado - imagina um parafuso sendo cochado na parede, dando voltas e voltas; agora imagina uma pessoa, se movimentando loucamente, dando voltas e voltas, braço prum lado, perna pro outro, pra dar conta de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Imaginou? bom, é mais ou menos essa a ideia de estar cochado de serviço. Então você convida alguém pra fazer um passeio e a resposta é: Ixi, vai dá não, tô cochado de serviço por aqui. Quer dizer que o mineiro está cheio de trabalho, sem tempo pra diversão.

(Tentei achar uma imagem para ilustrar, mas fico devendo, vão ter que se contentar com minha descrição mesmo.)

18 maio 2011

Frio em Delfim Moreira!

Geada em Delfim Moreira-MG no dia 19/08/2010 - Bº Caquende/Vargem do Dé
Foto de Marcelo Alves 
Retirada de: http://alquimiaruralartesanato.blogspot.com/



De acordo com o site climatempo, a geada já está chegando em Delfim Moreira esse ano. As temperaturas despencaram, previsão de mínima de 5ºC e 4ºC essa semana! uhum! que friaca!
Mas essa paisagem é simplesmente maravilhosa! E pede muita comida boa (canjiquinha!! chocolate quente! muita sopa!! angú com feijão e couve! e, claro, um bom vinho!!) e também muita roupa!! Sem dúvida a moda outono/inverno deixa as pessoas mais elegantes! É a hora de usar e abusar de cachecóis, botas, casacos, boinas! Uma beleza!

Para quem gosta de frio e dessa paisagem deslumbrante, Delfim Moreira é uma ótima opção nessa época!
Recentemente, em outro post, eu dei algumas dicas de passeios e lugares para se visitar em Delfim.

Manhã de inverno em em Delfim Moreira,
foto de M. aa Ribeiro
retirada de: http://www.panoramio.com/photo/45473259
                                                                    


Matriz de Delfim Moreira
Foto de M. aa Ribeiro,
reitirada de: http://www.panoramio.com/photo/45473252


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