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20 novembro 2019

Descobrindo o racismo

Resultado de imagem para Cirilo e maria joaquina anos 90
Cirilo - primeira versão do Carrossel exibida no Brasil em 1991
Como a maioria das pessoas nesse país, cresci num ambiente racista. Tanto o ambiente familiar quanto o ambiente expandido. Ouvi tantas  'piadas" sobre cabelo de negro, sobre serviço de preto, ou coisa de preto. Por algum motivo, eu não nunca aceitei isso como normal. Lembro que desde pequena brigava com quem dizia essas coisas. Lembro de ter chorado algumas vezes, quando criança, porque meus tios faziam esse tipo de comentário. E o meu choro era ainda motivo para meus tios dizerem que eu ia casar com um preto, como se isso fosse algo ruim ou engraçado.

Mas na minha memória, meu primeiro contato com o racismo e com o preconceito de classe, ficou registrado de maneira muito forte. Eu tinha uns seis anos. Estava na escolinha. Eu era uma criança chata, não gostava de brincar e na hora do recreio, ficava perto dos adultos, das professoras, no caso, conversando. Num desses dias, a filha de uma professora, que também estudava na escolinha e era um ano mais nova do que eu, chegou do meu lado e disse: "sai de perto da minha mãe, você parece o Cirilo". Eu fiquei muito triste. Eu chorei. Para quem foi criança nos anos 90, sabe que o Cirilo era o menininho negro da novelinha infantil, Carrossel. O menino negro e pobre que era constantemente humilhado pela menininha branca e metida, Maria Joaquina. Quando a filha da professora me disse aquilo, eu sabia que ela queria me xingar, me ofender. Eu não era negra - inclusive o tom de pele da filha da professora não era nada diferente do meu -, mas eu era pobre. E mesmo com seis anos, eu tinha alguma noção de que eu, de algum modo, era parecida com o Cirilo. E aquilo me doeu. 

Em vários momentos da minha vida eu me lembrei dessa cena. Certamente eu a fantasiei e a reconstrui de muitos modos. Mas toda vez que eu lembro dela, sinto que desde muito cedo eu entendi que algumas pessoas achavam que a cor de outra pessoa era motivo para ela valer menos, ou para que ela tivesse que sofrer. Lembro que assistindo a novelinha infantil, eu chorei muitas vezes com as maldades da Maria Joaquina. Mas eu também sentia raiva do Cirilo, porque ele sempre dizia: "eu só quis ajudar". Porque diante das respostas mal criadas da menina loira, ele continuava gostando dela, querendo estar perto dela. Lembro do episódio que ele passa uma pasta branca na cara, pra ver se ficava branco. Aquilo era tão cruel. Outra cena que me marcou muito foi a do pai da Maria Joaquina, se não estou enganada, chorando diante do reconhecimento da maldade e do preconceito da filha. A verdade é que com o Carrossel e com a filha da professora me chamando de Cirilo, eu aprendi o que era racismo. 

Mesmo sabendo de tudo isso e mesmo me incomodando muito com as falas racistas que sempre fizeram parte do meu mundo, eu levei muito tempo para entender a profundidade do racismo e porque as cotas - para o ensino superior- eram necessárias num país como o nosso. Eu só fui entender de verdade, entender não de maneira racional, mas de maneira afetiva e emocional, quando comecei a dar aula. Quando ouvi uma professora dizendo que um dos meus alunos, que era negro, não passaria de caixa de supermercado, e que não tinha muito o que fazer por ele, 'tadinho'. Foi aí que eu entendi o que era racismo estrutural e institucional. Eu nem conhecia essas expressões. Mas entendi que quando uma criança ou adolescente tem o seu futuro predeterminado por causa da dor da sua pele, ele está numa desvantagem imensa em relação a seu colega que é branco, ainda que esteja ali, na mesma sala de aula, com os mesmos professores. 

O racismo no Brasil na maior parte do tempo tem sido velado, tem sido suavizado por comentários carregados ora do tom da 'brincadeira', ora do tom da caridade. O negro no Brasil só cabe em dois papeis: ou é malandro ou é o coitado. Se é malandro, tem que ser preso mesmo, tem que morrer, tem que pagar seja pelo que é tenha feito - por existir? Se é coitado, está lá para que algum branco de bom coração possa fazer sua caridade, sua doação, sua boa ação, do dia ou do ano. Infelizmente, no Brasil de 2019, o racismo está cada dia mais escancarado, e até encontra deputado disposto a quebrar obra de arte que discute o racismo  e o genocídio da população negra e deputado pra defender a atitude boçal e criminosa do coleguinha. 

Eu descobri o racismo muito cedo. Mas acredito que fiz muito pouco até hoje para combatê-lo. E é uma tarefa que deveria ser abraçada por todos. E começa por não rir de 'piada' sem graça, do tio ou seja lá de quem for. Por não fingir que o racismo não existe, só porque é mais cômodo. Aguçar nosso olhar para ver o racismo que nos cerca diariamente, ou que segrega as pessoas nas grandes cidades todos os dias. Da próxima vez que for a um shopping, procure enxergar as pessoas negras nesse espaço. Da próxima vez que for a um restaurante, se pergunte por que não tem negros sentados ao seu lado ou quando for ao médico ou procurar um advogado. A primeira coisa urgente a ser feita é romper com a nossa cegueira social. 

Nesse dia 20 de novembro, convido a todos a olharem e enxergarem o mundo com as cores que ele tem ou não tem em determinados lugares. Mas é preciso cuidado para não ser emburrecido por comentários como o do deputado que disse: ao entrar na favela nós vemos a maioria de negros com armas, e isso é um fato. Para não sairmos acreditando que os negros escolheram estar na favela, escolheram a marginalidade, escolheram ser pobres, escolheram ser faxineiros, porteiros, diaristas, seguranças. Que os negros escolheram que não querem ser médicos, advogados, professores, engenheiros, músicos, poetas, atores, juízes, presidente da república, senador ou deputado. Os fatos estão aí, e precisam ser interpretados. Nunca é tarde para nos perguntarmos por que é assim. Nunca é tarde para reconhecermos o que 300 anos de escravidão fizeram com o povo negro no nosso país. Nunca é tarde para reconhecermos que houve uma política de branqueamento da população e um esforço oficial de apagamento do povo negro e de sua história.



04 agosto 2018

Senhor candidato, o problema não é a cota, mas a sua má-fé

“Sou contra as cotas. Somos iguais”, disse. “Meu sogro é conhecido como Paulo Negão. Não é justo minha filha ser cotista”,candidato à presidência JB (Fonte El País).

Essa é a Laura, a filha do presidenciável. Então posso dizer que há algo em que concordo com esse sujeito: não é justo que sua filha seja cotista. Sabe por que, candidato? Porque ela não é negra. É simples assim! Não importa que seu sogro seja o Paulo Negão, que seu cunhado seja negro. O que importa é sua filha. Ela não é negra, logo, ela jamais será vítima de racismo nesse país. Agora, o que me deixa assustada, muito mais do que a desfaçatez do candidato, é a incapacidade de tantos jornalistas de responderem ao candidato quando ele repete à exaustão essa justificativa para ser contra as cotas. 

A lei de cota não é para filhos ou netos de negros. A lei de cotas é para negros. Para jovens que, sendo negros, lidos como negros numa sociedade estruturalmente racista, são tratados de maneira diferente de outros jovens. Para jovens que sendo negros, quando entram numa loja, são seguidos pelo segurança. Ou numa blitz policial são os primeiros a serem enquadrados como suspeitos. Para jovens que, lidos como negros, são potencialmente considerados bandidos. Para jovens negros cujos pais ocupam postos de trabalhos desprestigiados socialmente (porteiros, faxineiros, garis, empregadas domésticas). Jovens negros que são lidos por muitos professores como futuros caixas de supermercado (e isso é o máximo que lhes permitem) e que por isso não é preciso perder tempo com eles. Jovens que lidos como negros, serão confundidos com manobristas, com faxineiras. Jovens negros que têm seus corpos precocemente sexualizados e objetificados em propagandas e no imaginário social brasileiro: o negão da pica grossa, a negra/mulata da bunda grande. Acima de tudo, a lei de cota, e estou pensando principalmente no ingresso ao ensino superior, é para os jovens negros que hoje não se veem entre aqueles que ocupam cargos de liderança, ministros, governadores, presidente da república ou de grandes empresas, que não se veem entre aqueles que desempenham profissões de prestígio, como médicos, advogados, engenheiros, professores universitários, cientistas.

Se alguém como a filha do candidato se apresenta para uma vaga de cota estará cometendo um grave erro. Seria má-fé, para dizer o mínimo, mas na verdade se trata de fraude, de um crime. O tema é polêmico, muito polêmico e por isso  mesmo merece ser tratado com seriedade e não de maneira leviana como a declaração do candidato. Estou ciente da complexidade do assunto e não tenho a pretensão de ser dona da verdade. No entanto, entendo que não podemos nos furtar à necessidade de responder a toda e qualquer tentativa rasteira de negar a pertinência da lei de cotas num país em que a escravidão acabou ontem e no qual tantas crianças, jovens e adultos negros ainda são lidos como não merecedores de direitos. Privilégio não é ser cotista, privilégio é não precisar de cotas para ter seus direitos garantidos.

23 maio 2016

É lei da mordaça, sim

O assunto é sério e, pelo andar da carruagem, também muito preocupante. De repente uma onda de Projetos de Leis invade Câmaras de vereadores, Assembleias Legislativas e chega até o Congresso Nacional: Projetos Escola Sem Partido ou Escola livre. Notícias têm pipocado na mídia, como podemos ver aqui, aqui e aqui
Por que considero o assunto sério? De fato, o professor que usa do seu lugar de autoridade dentro de uma sala de aula para fazer doutrinação ou para fazer apologia a este ou aquele partido político ou ainda para impor uma crença ou a não crença a seus alunos está agindo de maneira errada. A partir do momento que isso seja comprovado por pais e/ou alunos, o professor deve responder pelos seus atos. Ações como perseguição, chantagem, assédio moral ou qualquer outra que tenha motivação política, religiosa ou ideológica em geral e que venha a causar danos aos alunos devem ser denunciadas e coibidas nas escolas. 
No entanto, o que estamos vivenciando é uma forte onda conservadora que, em nome de alguns direitos, tem claras intenções de impedir discursos que contrariam suas verdades, ao mesmo tempo que reforça posturas e ideias preconceituosas, disfarçadas sob o título de valores e crenças morais. Basta prestar um pouco de atenção nos discursos que movimentos como o Escola sem partido têm produzido para percebermos que o desconforto deles é com certos partidos e com certas ideologias e religiões. O grande problema dessa galera é com o discurso de esquerda, de professores que se identificam ou militam em favor de certas causas sociais. Não estou dizendo que esses professores têm o direito de doutrinar seus alunos. No entanto, estando numa escola, pois sou professora, sei bem que há professores que se identificam com partidos de direita e que também usam a sala de aula para defenderem e difundirem suas ideias. Mas com esses não estão muito preocupados. Alardeiam apenas a doutrinação de esquerda. Outra coisa que incomoda bastante essa galera que quer uma Escola insípida e professores neutros é o que eles resolveram chamar de Ideologia de Gênero. Essa bizarra expressão surgiu entre aqueles que se recusam a aceitar que há machismo na sociedade em que vivemos, para os quais não seria necessário buscar igualdade entre homens e mulheres. Mas o que mais assusta esse povo é falar em direitos iguais para todos, independente da orientação sexual ou de qual a identidade de gênero do indivíduo. É importante esclarecer que essa expressão, "ideologia de gênero", não faz parte do vocabulário acadêmico-científico, mas foi forjada com sentido pejorativo para desqualificar debates que visam promover igualdade, respeito e tolerância. Mas isso é assunto para outro post. Outro tema muito caro para boa parte dos que defendem esse tipo de lei diz respeito a religião ou crença. Na fala de alguns, tratar de religiões de matriz africana, trazer seus mitos e rituais para materiais didáticos seria proselitismo. Valorizar traços da cultura de um dos povos que está na raiz do povo brasileiro e que sempre foi hostilizado e vítima de uma visão distorcida e preconceituosa não é visto como política de reparação e de equiparação, mas como privilégio, contra a religião dos outros agarra-se na defesa do Estado Laico...Mas quantas escolas (inclusive a minha) ostentam símbolos cristãos ou mesmo católicos, e ninguém lembra que o Estado é Laico. 
Quanto ao professor em sala de aula, precisamos pontuar algumas coisas. Primeiro, algumas disciplinas necessariamente terão que trabalhar com temas considerados espinhosos ou controversos, como é o caso de Filosofia, Sociologia, História, Biologia. Segundo, não parece que seja crime um professor expressar sua opinião sobre um assunto qualquer, ainda menos se esse assunto faz parte dos conteúdos abordados por sua disciplina. Expressar uma opinião não é o mesmo que impor sua opinião. O discurso da neutralidade muitas vezes será questionado pelos próprios alunos. Adolescentes são curiosos, gostam do enfrentamento e, claro, também estão em busca de referências e tudo isso contribui para que eles muitas vezes sejam incisivos ao quererem saber a opinião do professor sobre determinados temas. Expor essa opinião não torna um professor um doutrinador, nem está imediatamente influenciando os alunos. É importante que fique claro que se trata de uma opinião entre outras, que o professor não espera que os alunos concordem com ele. 
No entanto, parece que estamos caminhando para situações mais complicadas, quando vemos pessoas questionando os Direitos Humanos, ou questionando valores como o respeito, a igualdade e a tolerância. O debate em sala de aula deve seguir alguns parâmetros e, ainda que os alunos devam se sentir livres para expressarem suas opiniões, essas opiniões não podem ferir direitos alheios ou servir para propagar preconceitos. Um professor que interfira numa fala que faça apologia a violência contra homossexuais, por exemplo, não pode ser acusado de estar defendendo uma ideologia. Se algum aluno se manifesta de maneira machista ou racista numa sala de aula, não devemos tolerar tais falas em nome da liberdade de expressão. 
Mas do jeito que a coisa anda, tudo isso pode virar crime logo, logo. Se depender da patrulha que essa galera tem feito, ai do professor que manifestar até mesmo qual seu time do coração, ou ousar expressar sua opinião sobre o último filme que viu no cinema. Afinal, como defende essa galera, o papel do professor é passar sua matéria e ponto. 
Assusta-me muito nesses discursos a ausência de consciência de vida em sociedade, de que existem divergências, ideias diferentes, gostos diferentes e de que é através do debate que as ideias são construídas. A defesa que se faz do indivíduo e de valores individuais se sobrepondo ao coletivo, ao grupo, denuncia posturas que atacam as bases que possibilitam a vida em sociedade. Acusam professores de serem doutrinadores, mas defendem o pensamento único como sendo um direito do cidadão. 
Se não pudermos discutir temas polêmicos numa sala de aula, onde mais poderemos fazê-lo? Se a política for rechaçada das escolas, quando os jovens terão a oportunidade de formarem suas opiniões? 
Infelizmente, nas entrelinhas de projetos como o que foi aprovado em Alagoas podemos perceber uma censura e uma caça às bruxas que tende a favorecer o obscurantismo e a intolerância. 
Tempos difíceis esses em que vivemos, mas parece que ainda podem piorar bastante...

19 janeiro 2012

Sacolinhas plásticas e outras coisinhas

O ano começou com campanhas de grandes redes de supermercado no estado de São Paulo anunciando o fim das sacolas plásticas. E, de repente, tem um monte de gente se manifestando contra essa ideia e, mais que isso, se manifestando em defesa das sacolas plásticas.
Faz já um tempinho que decidimos reduzir o uso de sacolas plásticas aqui em casa. Para isso temos usado as sacolas de pano (houve um movimento interessante na onda do ecologicamente correto, que fez com que empresas e instituições em geral distribuíssem sacolas de pano como brinde em eventos e afins; pelo menos ganhamos umas quatro. Além delas usamos também sacolas térmicas e as caixas de papelão - que são reutilizadas para armazenar material reciclável seco). Além da redução do uso de sacolas, tentamos também reduzir o uso dos saquinhos de frutas e legumes.  
Sou a favor do uso daquelas antigas bolsas de feiras, coloridinhas, que lembram minha infância, e dos carrinhos de feira. Nós vivemos tão bem por tanto tempo sem as sacolinhas plásticas! Por mais que pareça difícil, acredito que não será impossível nos adaptarmos ao seu fim. Contra essa campanha pesa o hábito adquirido nas últimas décadas. De fato, as sacolinhas ganharam muita utilidade em casa, seja para o descarte de lixo comum, ou para nos auxiliar nas viagens - guardando sapatos e roupas usadas ou molhadas. Mas também o número de sacolas indevidamente espalhadas mundo a fora não é brincadeira. Sacolas flutuam na estrada, estão emaranhadas em galhos de árvores ou na beira de rios e córregos, ou ajudando a entupir bueiros, ou na areia da praia no final de um dia de sol. 
Não tenho argumentos contundentes em favor do fim das sacolinhas plásticas nos supermercados, mas sou simpática a ideia. No entanto, não é o fim das sacolinhas que vai salvar o planeta. A urgência de se falar em mudanças de hábitos de consumo é cada vez mais gritante. O caminho para isso, sem dúvida, é a educação. Mas, também é sabido, é um processo lento. Por mais que pareça arbitrário o fim das sacolinhas, talvez ele se apresente neste momento como o melhor caminho. Quem sabe com essas medidas, as pessoas não comecem a pensar mais seriamente nos seus hábitos de consumo? Consumo consciente é a nova-velha onda do momento. É importante falarmos em desperdício e em excessos. Será que precisamos mesmo comprar tudo o que compramos? Essa falsa necessidade que o sistema capitalista impõe a nós, consumidores em potencial, precisa ser ponderada, refletida de maneira crítica. Não estou dizendo para pararmos de consumir. Mas podemos fazer isso de maneira mais inteligente.
Ninguém pode ser inocente a ponto de acreditar que as grandes redes de supermercado que entraram nessa campanha assim decidiram por puro altruísmo. É LÓGICO que elas estão visando LUCRO. Mas, por outro lado, não podemos esperar ações altruístas para mudar o mundo e para pensarmos no futuro do planeta. 
Se as sacolinhas são as vilãs ou vítimas da vez? Não sei. Mas sei que é hora de pensarmos e mudarmos  nossas atitudes como consumidores-cidadãos. E não, eu não tenho uma receita pronta para resolver nossos problemas! Mas tento fazer minha parte, nas pequenas coisas do dia a dia. E você, o que pensa sobre isso? O que tem feito pelo planeta?

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