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16 setembro 2021

Sabores da infância

Depois da aula,
Enquanto segurávamos as mochilas,
Eles subiam no muro,
Se penduravam nos galhos
e jogavam para nós as pitangas vermelhinhas.

Na casa do vô e da vó paternos
Ou no sítio da amiga, filha da amiga da mãe,
Passavam as manhãs embaixo da sombra da jabuticabeira
Ou as tardes sentadas nos seus galhos
Enquanto desfrutavam da meninice de suas vidas.

Na beira da estrada,
No caminho para a casa dos avós
Tinha uma pitangueira
e depois uma jabuticabeira.

A meninice passou,
Os avós já partiram,
As amizades de outrora ficaram distantes
E agora no quintal tem uma pitangueira
E uma jabuticabeira
E as memórias e os sabores da infância.






11 setembro 2021

Desarmados

Na minha terra, acredita-se que as pessoas têm armas

e que os que mentem, roubam e matam não passam de homens desarmados. 

Diante de uma briga, na minha terra, se pede carma

e quando a paciência tá em farta

o jeito é mandar o sujeito pesca.

Hoje em dia os homens desarmados estão no poder

pregando a armação

e o armamento.

Homens desarmados,

buscando um fuzil para dar sentido

à vida besta que levam.  

Que carma é esse:

proclamavam um "mito"

e agora precisamos lidar com a própria mula sem cabeça. 


16 agosto 2020

Torto Arado é aqui e agora no Quilombo Campo Grande

“Se eu for para a cidade eu morro logo, a minha natureza é trabalhar na terra. Quem é nascido e criado na roça não serve para a cidade não”. 

A afirmação acima poderia bem estar na boca de algum dos personagens de Torto Arado, mas é de um dos moradores do Quilombo Campo Grande, na cidade de Campo do Meio em Minas Gerais. Nos últimos dias, mais de 450 famílias vem sofrendo com a ação violenta da PM de MG, do governador do Novo, Romeu Zema, a fim de cumprir ação de reintegração de posse da área da antiga Usina Ariadnópolis, que faliu em 1996 sem pagar os direitos trabalhistas de seus funcionários. Segundo reportagem do Repórter Brasil, de novembro de 2018, há ainda uma dívida de quase R$ 400 milhões com a União, referentes a contribuições previdenciárias, FGTS e impostos federais, que foi negociada e parcelada por meio do Refis, programa do governo que facilita o refinanciamento de dívidas.

O empresário Jovane de Souza Moreira é quem pede o despejo das famílias. Segundo o advogado do empresário, o Jovane é um sujeito religioso, frequentador da Igreja Congregação Cristã no Brasil, que dá uma cesta-básica para algumas pessoas e faz trabalho voluntário em Alfenas. Já o filho, Jovane de Souza Moreira Junior, menos discreto que o pai, é apoiador de Bolsonaro e foi coordenador de campanha de Marcelo Álvaro Antonio - aquele do laranjal do PSL mineiro, atual ministro do turismo, defensor da regularização de cassinos no Brasil, conforme revelado na reunião ministerial de 22 de abril. E, segundo a página do Facebook de Jovane de Souza Moreira Junior,  ele é hoje pré-candidato a prefeito de Alfenas, pelo Avante

Segundo a matéria do Repórter Brasil, "o  principal argumento da família de Jovane para o pedido de urgência de despejo das famílias da área é um contrato firmado há dois anos com a empresa Jodil Agropecuária e Participações Ltda., cujo proprietário é João Faria da Silva, que já foi chamado de “maior produtor e exportador individual de café do país” por publicações especializadas. Entre os principais compradores dos produtos do empresário estão a Nestlé e a holandesa Jacobs Douwe Egberts (JDE), dona das marcas Pilão, Café do Ponto, Cacique, Café Pelé e Damasco. A JDE afirma que “não está comprando” café da marca Terra Forte, de João Faria." 

Boicote às marcas que compram grãos do João Faria da Silva - Terra Forte - iria bem, em tempos de ativismo digital. Afinal, "maior produtor e exportador individual de café do país" está patrocinando a ação de despejo das mais de 450 famílias. Por outro lado, também iria bem, em tempos de ativismo digital, a divulgação da produção das famílias do Quilombo Campo Grande. Uma delas é o Café Guaií, produção orgânica e agroecológica. Segundo informações do site de divulgação do café: "a produção orgânica de café em nossas áreas já é uma realidade, graças as parcerias com a Professora Leda do Instituto Federal do Sul de Minas e a Christian Aid, muitas famílias vem aprendendo na condução das lavouras orgânicas e, para romper com o uso de adubos de síntese química e produzir agroecologicamente hoje, a cooperativa organiza a compra de micronutrientes para o preparo de caldas naturais, e a compra de adubos orgânicos como torta de leguminosa, farinha de osso, composto orgânico, fosfato natural, potássio natural e esterco de gado para aplicação nas lavouras e produção de adubos vivos como o Bokashi e, além de viabilizar o retorno da palha do café da agroindústria para a lavoura."
 
Além da ação truculenta da PM-MG -  jogaram bomba de gás, atearam fogo no mato seco ao redor,  usaram helicóptero para jogar para cima das pessoas, levantar poeira, voando baixo para assustar, segundo relato de assessora de comunicação do movimento à Agência Brasil -, a reintegração se dá durante uma pandemia. Conforme também noticiou a Agência Brasil, "a Defensoria Pública de Minas Gerais avalia que a execução da ordem de reintegração de posse durante a pandemia colocou em risco os moradores do acampamento. “Fizemos todos os esforços para tentar suspender essa operação. Não é possível considerar, do ponto de vista até constitucional, com o princípio da dignidade humana, que, em um tempo dessa natureza, com mais de 100 mil mortos pela covid-19, uma crise sanitária de alta gravidade, seja realmente sensato fazer uma operação policial dessa natureza”, disse a defensora pública Ana Cláudia Alexandre Storch, da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais. Segundo ela, é “inconcebível” imaginar que tenha havido urgência que justificasse a ação."  
Imagem de Gean Gomes-MST - no site do MST

O caso do Quilombo Campo Grande é só mais um exemplo da realidade retratada por Itamar Vieira Junior em Torto Arado. Seja no sertão da Bahia ou no Sul de Minas Gerais, a questão da terra permanece uma chaga aberta no Brasil. Enquanto o valor social da terra não for maior do que os interesses econômicos, enquanto a indecente exploração de centenas e milhares de trabalhadores rurais for tolerada em nome do lucro de meia dúzia de famílias, esse país está condenado e seguir sendo esse retrato da desigualdade, da violência e da desesperança. Se a dívida de 400 milhões com a União não é motivo para desapropriar essas terras e entregá-las àqueles que hoje as tornam produtivas, tiram delas seu sustento e, portanto, delas vivem, me pergunto o que seria.

Todo apoio às famílias do Quilombo Campo Grande. Enquanto a injustiça nesse país não for vencida, Severos e Zezés precisam continuar fazendo as perguntas incômodas:

 "Por que não éramos também donos daquela terra, se lá havíamos nascido e trabalhado desde sempre. Por que a família Souza Moreira, que não morava na fazenda, era dita dona. Por que não fazíamos daquela terra nossa, já que dela vivíamos, plantávamos as sementes, colhíamos o pão. Se dai retirávamos nosso sustento." (Junior, Itamar Vieira, Torto Arado, com adaptação minha).

07 janeiro 2013

Sobre escolas e escolhas

Eu sempre estudei em escola pública e digo isso com orgulho! Toda minha educação básica foi feita na Escola Estadual Marquês de Sapucaí, de Delfim Moreira, MG. Bons tempos aqueles! Eu tive professores que fizeram diferença na minha vida. Professores que se importavam. Professores que se respeitavam. Professores que se fizeram dignos diante dos meus olhos. Nem sempre eu fui justa com eles. Nem sempre eu soube entender suas atitudes. Mas, de algum jeito, eu sempre soube admirá-los e respeitá-los. Eles conseguiram me fazer entender a grandeza dessa profissão, hoje a minha profissão. 

Esse ano de 2012 entrei na rede estadual de São Paulo como professora efetiva de filosofia. E faço questão de dizer para os meus estudantes que eu sempre estudei em escola pública e que me formei numa das melhores universidades do país, a Unicamp. É bom notar que não digo isso a fim de afirmar nenhuma superioridade em relação a colegas formados em outras instituições, públicas ou privadas, mas apenas com o intuito de fazê-los acreditar que é possível ingressar numa boa universidade pública de ensino superior, tendo estudado sempre em escolas públicas. 

Com todos os problemas e as dificuldades que os professores enfrentam hoje, eu ainda tenho a pretensão de fazer a diferença na vida de algumas pessoas, assim como os meus professores fizeram na minha vida. Estou longe de acreditar que a filosofia por si só é capaz de mudar a educação, como alguns alardeiam por aí. A disciplina que escolhi tem sim um papel privilegiado dentre as demais ao permitir mais espaço para a conscientização do estudante de seu papel enquanto cidadão ou para provocá-lo a respeito de problemas de ordem ética ou epistemológica e tantos outros. No entanto, os professores que mais marcaram minha vida não o fizeram por causa da disciplina que ensinavam, mas pela atitude como professor, pela honestidade com que se apresentavam diante de mim, pela paixão que conseguiram transmitir naquilo que faziam, pelo respeito e compromisso, pelo entusiasmo, apoio e incentivo que me foram dados. Independente da disciplina, da matéria que lecionavam, eu tive professores que abriram meus olhos, ampliaram meus horizontes e me fizeram acreditar em grandes sonhos e, juntamente com isso, se esforçaram por colaborar com a realização desses sonhos. 
Tenho alguns colegas hoje que também me servem de inspiração. Pessoas que, apesar de todos os empecilhos, de toda desvalorização e precarização da carreira de professor, não fazem disso desculpa para serem medíocres. 
Eu ainda tenho dúvidas quanto ao meu futuro profissional. Ainda tem escolhas para serem feitas. Mas, neste momento, estou consciente do compromisso que assumi com os meus estudantes. Espero conseguir fazê-los perceber o que eles têm de melhor e o quanto são capazes de mudar suas próprias histórias. 


*Quando eu escrevi esse texto, no início de 2012, eu estava num momento Pollyanna. Não sei quanto tempo ele vai durar, mas espero que o suficiente para ter mais um bom ano!

05 janeiro 2012

Divulgando!

Faz um tempinho já eu faço parte de um grupo muito bacana que é o Cia dos Blogueiros. O Cia é coordenado pelo jornalista José Marcos Taveira (blog do Zemarcos) e é um espaço muito legal de divulgação de blogueiros que nasceu em Araçatuba, SP. Recentemente o Cia alcançou a marca de 400 blogs cadastrados!!
Através do Cia eu conheci blogs muito massa como o VJ, do Matheus Farizatto e o Pimenta e Poesia, da Maria Tereza Marçal Cardoso. E tem muito mais! Bora dar uma espiada lá e conhecer esses blogs!

Mas, o que eu quero divulgar hoje é uma outra ideia super linda que o Cia teve! Foi a publicação de ebooks! Tudo começou com uma coletânea de membros do Cia, organizado pela Andreia Pisco. E agora já são 6 ebooks disponíveis!! E você pode conferir esses trabalhos aqui!

Minha dica especial do dia é o ebook "Simples Assim" da Maria Tereza Marçal Cardoso. Não sei se é porque ela é mineira, mas os textos dela são encantadores, deliciosos! Com cheiros e sabores de vida de verdade!!
Boa leitura!!




25 junho 2011

Da série: "Coisas que só acontecem em Minas" - Parte I

Faz já um tempo que penso em registrar algumas particularidades da minha terra e da minha gente, mas sempre penso que ainda não tenho material suficiente para escrever algo que valesse a pena ser lido. No entanto, hoje, num repente enquanto tomava banho, tive a ideia de fazer por partes. De ir escrevendo de acordo com o que eu lembrasse ou com o que me inspirasse. Duas coisas hoje ficaram rondando minha cabeça.

Lembrei-me da primeira vez que disse 'empinhocado' aqui em Campinas, para as meninas que moravam comigo. A cara delas foi de espanto e a pergunta foi imediata: o que é isso, empinhocado? E eu fiquei pensando: empinhocado é empinhocado, uai. Mas fui explicar.
É que lá em minas os lugares não ficam cheio de gente, por exemplo, o circular interno Moradia-Unicamp era empinhocado de gente. Ou seja, o povo fica lá, um por cima do outro, parecendo pinhão na pinha....


A minha frase, na época, foi assim: "Nossa, o povo vem tudo empinhocado no motorista..."
Traduzindo: O povo vem todo amontoado, um monte de gente em cima do motorista;

A segunda coisa foi que lá em Minas as pessoas não ficam ocupadas, elas ficam cochadas. Bom, lá também a gente cocha o parafuso! Ou seja, aperta o parafuso; Mas toda vez que eu falo de cochar um parafuso tem sempre alguém pra fazer piada ou rir de mim e perguntar: fazer o quê?

Bom, mas voltemos ao estar cochado. Talvez pra ouvir essa expressão você precise desbravar os longínquos recantos das terras do sul de minas, lá nos sítios e fazendas, mas que é assim é. Acho que a ideia é a seguinte: você tem tanta coisa pra fazer, tantas tarefas, tanto trabalho, que você imagina que seu corpo vai ficar todo cochado - imagina um parafuso sendo cochado na parede, dando voltas e voltas; agora imagina uma pessoa, se movimentando loucamente, dando voltas e voltas, braço prum lado, perna pro outro, pra dar conta de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Imaginou? bom, é mais ou menos essa a ideia de estar cochado de serviço. Então você convida alguém pra fazer um passeio e a resposta é: Ixi, vai dá não, tô cochado de serviço por aqui. Quer dizer que o mineiro está cheio de trabalho, sem tempo pra diversão.

(Tentei achar uma imagem para ilustrar, mas fico devendo, vão ter que se contentar com minha descrição mesmo.)

18 maio 2011

Frio em Delfim Moreira!

Geada em Delfim Moreira-MG no dia 19/08/2010 - Bº Caquende/Vargem do Dé
Foto de Marcelo Alves 
Retirada de: http://alquimiaruralartesanato.blogspot.com/



De acordo com o site climatempo, a geada já está chegando em Delfim Moreira esse ano. As temperaturas despencaram, previsão de mínima de 5ºC e 4ºC essa semana! uhum! que friaca!
Mas essa paisagem é simplesmente maravilhosa! E pede muita comida boa (canjiquinha!! chocolate quente! muita sopa!! angú com feijão e couve! e, claro, um bom vinho!!) e também muita roupa!! Sem dúvida a moda outono/inverno deixa as pessoas mais elegantes! É a hora de usar e abusar de cachecóis, botas, casacos, boinas! Uma beleza!

Para quem gosta de frio e dessa paisagem deslumbrante, Delfim Moreira é uma ótima opção nessa época!
Recentemente, em outro post, eu dei algumas dicas de passeios e lugares para se visitar em Delfim.

Manhã de inverno em em Delfim Moreira,
foto de M. aa Ribeiro
retirada de: http://www.panoramio.com/photo/45473259
                                                                    


Matriz de Delfim Moreira
Foto de M. aa Ribeiro,
reitirada de: http://www.panoramio.com/photo/45473252


Como chegar em Delfim Moreira?




Onde ficar?
Veja algumas opções aqui e aqui.


27 abril 2011

Direto da terrinha

Foto by Vitória Ribeiro

Nesse feriado, fui pra Delfim ver minha família e meus amigos. Todos bem! Pena que passa tão rápido! E teve até trânsito (na ida e na volta), mas valeu a pena. Sempre vale! Ainda mais quando tem pastelzinho de queijo da vovó! humm... E leite espumado tirado na hora! E comida de mãe!




E dessa vez também teve passeio turístico por Delfim. Fomos até o Antigo Mosteiro de Serra Clara, onde hoje funciona uma pousada. Eu tinha visitado lá uma vez, mas já deve fazer quase 10 anos. Uma loucura como o tempo passa. Eu lembrava que era bonito, mas não tinha uma imagem clara do lugar. Quando chegamos lá, até pensei que tivesse fantasiado as poucas lembranças que eu tinha. Mas depois tive a grata surpresa de rever o jardim interno, do qual eu me lembrava, com sua fonte. Dá uma vontade de ficar um tempão lá, em silêncio, ouvindo só a água e os passarinhos...

Na verdade, não sabíamos como estavam as coisas por lá. Tudo que sabíamos era que não era mais mosteiro e que estava funcionando uma pousada. O lugar, por si só, é uma maravilha. Natureza exuberante! Deixa a gente orgulhoso de ser de lá, daquelas montanhinhas... (orgulho besta, eu sei, porque nadinha daquela beleza se deve a mim.. acho que orgulho não é bem a palavra, antes é satisfação e felicidade!). Além das belezas naturais, tem ainda as dependências do mosteiro que começaram a ser construídas em 1958, sob os olhos do ex Vice-Prior do Mosteiro da ordem Beneditina de São Bento do Rio de Janeiro, dom Celestino de Barros Moraes, que pretendia criar ali um mosteiro rural de regras rígidas e vida regrada. 
Hoje a propriedade é de uma família  que tem planos de, cada vez mais, investir no potencial turístico da região e da fazenda, em particular. O Marcelo, atual dono da propriedade, é muito simpático, nos recebeu muito bem e até fez um pequeno tour pela propriedade. Infelizmente estávamos com o tempo curto e não pudemos ficar para conhecer as cachoeiras. Mas vamos voltar, com certeza, para passar o dia lá e aproveitar toda aquela maravilha!
De qualquer forma, fica a dica do passeio! E quem quiser saber mais sobre a Pousada Antigo Mosteiro de Serra Clara, dê uma espiadinha no site deles, este aqui.


Foto da praça de Delfim Moreira,
 'roubada' da amiga Joelma

Outra dica bacana é a cerveja Kraemerfass, produzida em Delfim. Super novidade! E, apesar de novinha, ela veio com tudo, já ganhando prêmios e com expectativas para o cenário cervejeiro desse ano. Quem quiser saber mais sobre a Kraemerfass dê um espiada aqui.

Foto da Igreja Matriz N. S da Soledade
de Delfim Morera.
Foto  'roubada' da amiga Joelma
Experimentei o chopp Pilsen e está aprovado! Infelizmente o chopp escuro tipo Dunkel estava em falta. Acho que o movimento do feriado foi grande e a fama do chopp chegou bem antes de mim...

Mas tem nada não, em breve terei outra chance!

Por falar em outra chance de ir pra Delfim, a exposição agropecuária de Delfim Moreira deve acontecer esse ano entre os dias 19 e 24 de julho. Bora conhecer Delfim?


Para saber mais sobre Delfim Moreira (MG):
Delfim Moreira - Portal do Sul de Minas
Atrativos Turísticos
Alquimia Rural Artesanatos

13 janeiro 2011

Chuva

O barulho do vento
e logo a chuva.
O céu embranquecendo,
árvores balançando,
e o canto dos pássaros!
O céu cada vez mais branco,
o vento cada vez mais frio...
Hora de entrar
quando as gotas começam
respingar....

                                     (escrito em 23/12/2010 - Monteiro, Delfim Moreira, MG)

11 janeiro 2011

A cidade submersa


Tudo começou como ideia de criança. Muitas vezes estivera em partes altas da cidade, para soltar pipa, e lá de cima a cidade parecia enfiada num buraco. Toda cercada pelas montanhazinhas verdes. Era simpática. Mas ele imaginava como seria inundar tudo aquilo. Transformar numa grande represa. Nem daria muito trabalho, a cabeça de menino dele pensava. Em suas brincadeiras, com carrinhos e cavalinhos, várias vezes transformou em realidade sua grande obra. 

E o menino cresceu. Viajou bastante, conheceu cidades e até outros países. Na força dos seus vinte e poucos anos ainda tinha aquela ideiazinha na cabeça. Mas quando ele falava disso, parecia mais piada do que qualquer outra coisa. Desde menino ele tinha aquele jeito palhaço de contar histórias e fazer todo mundo rir, embora isso agora fosse só de vez em quando e de preferência com público, porque na maioria do tempo ele tinha aquela cara amarrada e que, apesar de muito bonito, podia desencorajar qualquer tentativa de aproximação. Ele dizia que seria uma cidade no fundo da água, que se poderia mergulhar e ver tudo como era, principalmente a igreja iluminada, que sem saber bem como, ele pretendia que continuasse iluminada. As pessoas, que ouviam a história pela primeira vez, riam e achavam graça da imaginação dele. Os de casa, que a conheciam desde que ele era menino e corria atrás de borboletas e marimbondos, achavam graça dele não esquecer aquela ideia extravagante. 

Um dia o menino ficou velho. Mas nessa época ele já tinha juntado muito dinheiro. Ele sempre falava em ganhar em algum jogo da loteria federal, mas o que aconteceu mesmo foi que ele trabalhou muito. Por um bom tempo ele parecia ter esquecido aquela fantasia de criança de uma cidade submersa. Nesse tempo a cidade estava cercada por várias pequenas represas. Ele gostava de visitar esses lugares e lá ficava horas e horas olhando aquele tanto de água. Ele aprendeu nadar quando tinha uns 5 ou 6 anos. Ia para a piscina sozinho e voltava animado dizendo que tinha uns amigos que o estavam ensinando a nadar. Um dia a mãe, depois de muita insistência dele, foi até a piscina, num domingo ensolarado, cheio de grito de criança e cheiro de cloro. E ele atravessou a piscina grande, e todo orgulhoso veio sorrindo para a mãe que estava sem fôlego, como se fosse ela que tivesse acabado de atravessar toda aquela água azul.

Mas um dia ele fez o que tanto queria. Encheu de água toda a parte central da cidade. E foi mais fácil do que ele pensava. Ele passava horas e horas admirando. Estava ali, bem diante dos seus olhos. Parecia um aquário, mas não tinha nenhum peixe. Eram só casinhas, ruas, praças e, claro, a igreja iluminada. Não demorou muito e a impressa descobriu e virou uma atração turística, do jeito que ele sempre tinha sonhado. Com hora marcada para mergulho e tudo. A maquete era uma perfeição só. Apenas um de cada vez podia entrar na cidade submersa. O velho e o menino juntos observavam o sonho e a realidade e sorriam, satisfeitos.

14 julho 2010

Minha terra

Túnel - Delfim Moreira- MG

Barreira - Delfim Moreira- MG

Cachoeira do Itajyba - Delfim Moreira- MG

Monteiro - Delfim Moreira- MG



Minha terra tem pinheiros,
tem montanhas e tem sabiá,
as paisagens que ora vejo,
não são belas como as de lá!

Minha terra tem cachoeiras,
vento gelado e cheiro de terra úmida,
a saudade que agora sinto
morrerá tão logo meus pés eu bote lá .

Minha terra abriga a minha gente,
mãe, pai, irmãos, amigos,
que mesmo longe,
carrego sempre comigo.

Minha terra tem as cores e os sabores,
que aqui ou lá,
só eu posso experimentar!

10 maio 2010

COMUM - Nem tão comum assim

Aproveitando o embalo do último post, hoje vou divulgar uma iniciativa de artistas mineiros. (Oba, falar de mineiros no Mineirice!!)

É uma galera que também tem pensado um bucado sobre direitos autorais, distribuição e acesso à produção cultural. Foi criada uma Cooperativa da Música Mineira - COMUM. O pessoal envolvido com essa iniciativa tem uma maneira de pensar a distribuição dos bens culturais nada comum.

Vale a pena dar uma conferida no trabalho deles e também no que eles pensam sobre o assunto. Aí vão duas dicas, pra vocês darem uma espiadinha.

Makely Ka

Leopoldina

26 abril 2010

'Buteco'

Lá vem o Zé,
ventante, cambaleante,
trocando os pés pelas mãos...
No caminho diz adeus pro Maneco,
segue:
dois passos a frente
e três pra trás,
Ao invés da porta de casa,
se achega no próximo buteco..

11 dezembro 2009

Alerta - Criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira

As informações não são abundantes. Mas muita gente está com medo.
O projeto de criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira abrange três estados - São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro - dezesseis cidades: Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Cruzeiro, Guaratinguetá, Lavrinhas, Pindamonhangaba, Piquete, Queluz e Santo Antônio do Pinhal (SP); Delfim Moreira, Itamonte, Itanhandu, Marmelópolis, Passa Quatro e Virgìnia (MG) e Resende (RJ). Quem é responsável por isso é o Instituto Chico Mendes.
Estão acontecendos consultas públicas nessa região. No entanto, as notícias continuam confusas..
Infelizmente estou longe de casa (Delfim Moreira), mas gostaria muito de saber exatamente o que está acontecendo. No projeto não se fala em desapropriação de terra, mas são essas as histórias que têm circulado pelas secretarias de meio ambiente das prefeituras dos munícipios acima listados.

Reconheço a importância de preservação de áreas como a da Mantiqueira, mas temo pelas consequências sociais-econômicas para os munícipios cujas terras constituirão esse parque. Li reclamações e denuncias de descuidos e abandono, bem como práticas ilegais de extrativismo e caça de animais silvestres em áreas de parques já existentes. Algumas pessoas alegam que as autoridades competentes não têm sido tão competentes assim na preservação dessas áreas.
As perguntas que ficam no ar é sobre o impacto da criação desse parque no dia-a-dia das comunidades locais. Falta de emprego? Deslocamento de famílias - para onde? Indenização para os proprietários que terão suas terras desapropriadas? Será mesmo que será pago? E o valor?
Como será a fiscalização e manutenção dessa área após a criação do parque? Os munícipios terão responsabilidades, gastos?


Sou completamente contra teorias de conspiração. Mas também acho muito esquisito o fato de decisões tão importantes como essas serem tomadas sem uma divulgação e conscientização ampla das comunidades locais. Só agora, em estágio bastante avançado do projeto, essas comunidades estão sendo 'consultadas'. No entanto, a divulgação dessas consultas ainda está sendo restrita e precária.

Gostaria de pedir ajuda para os amigos: informações sobre situação atual dos Parques Nacionais existentes; informações da região, das consultas que estão ocorrendos nos municípios, e o que for de interesse para o assunto!

A Serra da Mantiqueira é linda! Amo esse lugar! E me preocupo com o futuro dessa região, e com as pessoas que podem ter suas vidas bastante alteradas mediante a criação do Parque.


Ver: Vnews;ViaLegal; Band; Folhafluminense;

23 janeiro 2009

O dia em que o homem acordou errado

Um dia acordou todo errado. Ao invés de botar os pés no chão, foram as mãos que se apoiaram no cimento sujo e não deixaram o corpo se estatelar nele. Não foi trabalhar. Atravessou a rua, seguiu uns quinze passos. Entrou num buteco e pediu uma garrafa de pinga. Era sete e meia da manhã. Em casa, juntou uns trapos velhos, papéis e alguns outros restos de vida e fez uma fogueira.

Sentado numa banqueta capenga, bebeu a pinga como se fosse água. Melhor, como se fosse o licor dos deuses. Soltou o passarinho que, triste na gaiola, era a única companhia que tinha há semanas. Lá pelo meio dia, fechou a solitária janela do paupérrimo barraco. Com umas tábuas e alguns pregos, lacrou porta e janela.

Ganhou o mundo. No bolso algumas moedas e notas amassadas. Nos pés um sapato furado - ou seria um furo ensapatado? Não dava pra saber ao certo. Calça e camisa surradas. Um pito na boca e um sorriso no olhar. Sorriso de quem tira sorte grande. Depois desse dia que acordou errado, só viveu errado. Mas viveu bastante e, talvez, embora não pareça uma vida que se possa chamar de boa, tenha sido a melhor parte ou tudo que ele chamaria de vida.

01 agosto 2008

Fim de tarde de inverno seco em Minas Gerais

-Será que chóvi?
(uns segundos depois)
-Pricisa, né?
(um tempinho depois)
-É...- um "é" espichado e depois acrescentou: a muié da televisão disse que vem chuva no saldo.
memo?? -com cara de desconfiado- sei não...
Enquanto isso o outro dá de ombros e faz cara de "uai".
O desconfiado continua desconfiando: - será que chóvi memo?
-Pricisa, né? a muié disse...

21 julho 2008

Férias

Tem horas que o paraíso é abrir a janela e ter um pedacinho de céu bem azul sobre uma montanha verde, com algumas araucárias aqui e ali espalhadas, anunciando aquele friozinho aconchegante... Na verdade, o paraíso está em cerrar os vidros da janela, e deixar só o azul do céu entrar, enquanto o cheiro de café vai tomando conta da sala e do quarto. Talvez o verdadeiro paraíso seja a voz que vem da cozinha:

_ Fran, levanta, acabei de passar café.

Sim, voz de mãe. A geada já sumiu. São dez horas da manhã. Uma semana só, mas valeu a pena. Tirando todos os contratempos, o cartão bloqueado, a chateação de ir no banco, as pequenas desavenças familiares (implicações com a irmã, com o irmão e com a cachorra...), foi muito bom.

Mudanças aqui, e também lá. A casa dos meus pais já não é a "minha casa". Eles mudaram. Cheguei e, apesar da sensação de estar em casa, eu era uma estranha porta a dentro. Os móveis dispostos de maneira diferente. Os cômodos diferentes. Portas e janelas, a paisagem. Mas em poucas horas eu estava em casa.

E quando a gente sabe que está em casa? Comida de mãe, bronca e paparico de pai, briga com irmão, cochilo no sofá (enrolada num cobertor bem quentinho), brigadeiro feito pela irmã enquanto assiste filme de sessão da tarde, mãe trazendo xarope e dizendo "abre a boca" como se você tivesse três aninhos...

Férias, ainda que só uns diazinhos, fazem muito bem! Agora já estou de volta, e já com saudades...

25 setembro 2007

Nas minas gerais


O silêncio, o barulho
A vida, a morte
Um sentido ou a falta dele...

Vivemos apenas,
Sem nenhuma certeza de que o amanhã virá...
Hoje o sol nasceu,
Hoje eu acordei,
Hoje eu posso abrir os olhos e contemplar a imensidão...
Hoje eu posso ouvir a água batendo nas pedras...
Hoje eu posso sentir o gelo da água maltratando a minha carne...
Mas é hoje, e de preferência agora...

Mesmo que eu reúna todas as palavras,
Que forme as orações mais complexas,
Nada poderá exprimir o que sinto...
A máquina registra a cena,
Mas o sentimento foi registrado pelo espírito...

Ai! O verde dessas montanhas,
As curvas dessas estradas,
O vento cortante,
A água que parece navalha,
A cheiro de terra...
Ah, Minas Gerais,
É mesmo impossível te esquecer....


O silêncio, o barulho
A vida, a morte
O hoje, a contingência...

A beleza é inútil!
As melhores coisas dessa vida,
São assim devido a inutilidade que trazem em si....

E pra que(m) ser útil?
Qual a finalidade de tudo?
O ser é!... e pronto!
O não-ser pode ser apenas uma questão de ângulo...
Fim e finalidade...
Eu prefiro o movimento circular...


Porque aqui e agora é só hoje...
Amanhã é pura contingência!
Então é hoje que vivo,
Porque viver é contingência depois de hoje...

O barulho, o silêncio
A morte, a vida
A contingência, o hoje!



Francine Ribeiro
27/05/05
19:00h
Sítio Monjolinho, Aiuruoca, MG

Rodoviária


Rodoviária é um ótimo lugar para observarmos as pessoas. Faltam 35 minutos para o meu ônibus Itajubá-Campinas as 15:30h. Hoje é domingo, muita gente está voltando para sua rotina.
Mulheres, homens, velhos ou crianças...jovens que se beijam, casais abraçados. Nos rostos às vezes cansaço, sono, tristeza, alegria...vai saber o que cada um está sentindo.
Aqui sempre tem música, acho legal, ajuda o tempo passar, música é sempre bom...
Eu já me acostumei com essa correria, nem bem chego e já estou voltando. Vim para o casamento da minha amiga Mariana, que foi lindo...
Chegou um ônibus, as pessoas se levantam, olham suas passagens, pegam suas malas, os motores de outros ônibus, que estão parados, são ligados, estão partindo...
Rodoviária é um retrato do que acontece na vida. Uns chegam, outros partem... as vezes estamos acompanhados, as vezes sozinhos...Durante a vida levamos várias malas... Tem tempo em que elas são mais pesadas, outros são mais leves. De repente ficam grandes, e no mesmo de repente voltam a ser pequenas...vamos de um lugar ao outro, e sempre tem uma ‘música’ de fundo...Cada um com um destino, mas partindo de um único lugar (...) ou com um destino comum, mas saindo de lugares tão diferentes, como os passageiros de beira de estrada, ou das paradas obrigatórias...
É sempre assim, uns indo outros vindo... Que bonita é a vida, pena que na maioria das vezes não temos tempo pra ficarmos observando essa dinâmica...
Agora passou um cara estranho, talvez estivesse bêbado, gritando e dizendo impropérios (...). A passagem dele foi como as coisas desconcertantes que acontecem diariamente e que nem nos damos ao trabalho de perguntar por que, ou então elas são tão desconcertantes que não perguntamos por que, para evitar qualquer desgaste maior...
E o que dizer dos que estão observando (como eu)? Talvez agora eu esteja no lugar daqueles que deixam a vida passar e só ficam olhando...Mas não, acho que não. O fato de estar escrevendo me coloca no lugar dos que na vida, mais do que apenas viver ou apenas olhar a vida passar, vivem e olham, olham e vivem...Três e quinze, acho que o meu ônibus já chegou...é hora de levantar, pegar minhas malas e preparar-me para voltar à minha vida...

Itajubá/ MG
28/11/04

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