23 maio 2016
É lei da mordaça, sim
22 junho 2013
Acordamos!? Será??
15 março 2011
Mosaico urbano
10 fevereiro 2011
Cabelos, cobras e bons modos
10 agosto 2010
No ônibus
Eu toda vestida de preto - sapato, blusa, bolsa e calça jeans. Acessório apenas um minúsculo brinco. Na mão esquerda - inchada e dolorida - livros. A mão direita me sustentando naquele ônibus que atravessa o tapetão a quase 100, numa tarde de terça-feira. Tinha dado duas aulas. Estava cansada e com fome.
Ela, uma blusa vermelha que combinava com os sapatos, também vermelhos. Acessórios? Muitos: colar, brinco, anéis, uns quatro. As unhas bem feitas, com uns brilhantezinhos reluzindo. A bolsa era colorida, listras amarelas, vermelhas e azuis.
Eu me equilibrava ao lado dela. A cada curva eu era arremessada pra lá ou pra cá. Ela não deve ter percebido que minhas mãos estavam inchadas, portanto nem poderia imaginar que elas estavam doendo... Mas ela deve ter percebido que era difícil me manter equilibrada, segurando apenas com uma das mãos. Mas ela não se ofereceu para levar os meus livros. Eram pequenos, nem pesavam tanto. No momento apenas me impediam de me segurar decentemente dentro daquele ônibus alucinado.
Fiquei observando aquela mulher que, embora de cabelos tingidos, teria sido motivo suficiente para que eu me levantasse, caso estivesse sentada, e oferecesse o lugar para ela, como fez a moça que ocupava aquele lugar. Fiquei observando e pensando o que custaria ela ter se oferecido para carregar os meus livrinhos...
30 julho 2010
Traição e futebol
Primeiramente, isso não é uma defesa da traição, nem uma defesa das mulheres. O ponto é que nossa sociedade machista costuma ter como pressuposto que (i) homens trair mulheres é algo normal e, ao mesmo tempo, que (ii) as mulheres não entendem as razões masculinas para suas escapulidas.
Comecemos pelo segundo ponto. É difícil dizer exatamente quais são as razões masculinas. Na verdade, talvez devêssemos dizer as "intenções masculinas para suas escapulidas". Melhor ainda, dizer o que eles, os homens, "não querem" quando dão suas escapulidas. A maioria deles diz, jura de pé junto, que não queria abandonar a esposa/namorada/ seja lá o nome que se queira dar a companheira que ele tem num relacionamento "sério". Mas dizem que as mulheres não entendem, precisamente, isso.
A primeira questão é saber se eles aceitariam o fato de que suas respectivas companheiras/esposas/namoradas tivessem tido um caso/uma noite com outro e, então, lhes dissessem: Olha, eu não pensava em te abandonar. Não era essa minha intenção. Os machistas sem conserto dirão que isso é inadmissível. E a justificativa, já ouvi isso por aí, é que mulher não tem relação casual, que ela se envolve e se chega a consumar o fato é porque está apaixonada ou porque tem algum sentimento pelo cidadão. Bom, com esses não há conversa...
Mas, se a resposta for que as mulheres não aceitam mudar as regras do jogo, então temos que conversar. Aí é o seguinte: quantos homens já discutiram abertamente a mudança das regras? Ao começar um novo relacionamento, quantos esclareceram suas namoradas/esposas/ companheiras acerca do tipo de jogo que pretendiam jogar?
Pensa: se alguém chega e diz: Vamos jogar futebol? E não diz nada a respeito das regras, você imagina que terão uma quantidade x de jogadores, que vão usar um campo, ou uma quadra, que o objetivo do jogo será fazer gols, chutando a bola. Que colocar a mão na bola é falta e esse tipo de coisa. Então você aceita. Mas, no meio do jogo, um dos participantes, aquele que te convidou, resolve pegar a bola com as mãos e jogar dentro do gol. Você reclama e diz: Mas não era assim! Isso não pode. Isso não é futebol! O cara responde, com a maior naturalidade do mundo: é futebol sim, só que vale fazer gol com as mãos também. Você insiste. Diz que não era esse o combinado. Que ninguém te avisou que seria assim. O cara, calmamente, responde que para ele sempre foi assim. Que desde o começo, quando te convidou para jogar futebol, estava pensando nesse jogo, no qual vale jogar a bola com as mãos. E que isso não mudava nada o fato do jogo ser futebol. Você pode, com toda razão, dizer que foi enganado, que ele te chamou para jogar outro jogo, e não futebol. Futebol, para você, é uma coisa na qual não cabe fazer gol com as mãos. Vocês se desentendem. E você resolve ir embora.
Agora imagine: no lugar do convite para o futebol, pense que o cara - ou a mulher, por que não? -, enfim, alguém chega e diz para outra pessoa: Acho que estamos saindo há um tempo, gosto de você, podemos namorar, o que acha? A outra pessoa, que também parece interessada, pode ser a mulher ou o cara, responde que sim. Ok. Estão namorando. Sem discutir o que isso significa, eles acabaram de assumir um compromisso que, socialmente falando, implica num conjunto de regras. Se essas regras não foram discutidas e ajustadas para aquele caso particular, não há nada de errado de que uma das partes tenha entendido que as regras que estão valendo são aquelas "tradicionais". Se, no meio do relacionamento, assim como no meio do jogo, alguém "muda" as regras ou põe em prática regras/ou direitos que não tinham sido devidamente explicitados no começo, isso é traição. A outra parte pode dizer que foi enganada. E, ainda que ela tivesse alguma disposição a aceitar essas novas regras, com toda razão pode reclamar o fim do "compromisso". Afinal, as regras não tinham sido discutidas, e ela (ou ele) levou gato por lebre.
O que estou querendo com toda essa história? Simples: estou dizendo que, mas posso estar enganada, na maioria dos casos de traição, quando não estamos diante de machismo incurável, o que acontece é a falta da discussão das regras do jogo. Então, tenho uma crítica que é para homens e mulheres: precisamos esclarecer os termos dos compromissos. Dizer o que entendemos por namoro, casamento, ou compromisso em geral. O que estamos dispostos a fazer pelo outro e por nós mesmos. Não há nada de errado com a poligamia, (talvez esse não seja o termo mais adequado. Deveria dizer com as escapulidas?) desde que ela seja um acordo que vale para ambas as partes. Assim como não há nada de errado com a monogamia, desde que seja um acordo de ambas as partes. Não sei se acredito nessa história de diferenças entre homens e mulheres quando o assunto é relação amorosa/sexual. Acredito, sim, que os estereótipos aprisionam as pessoas. Tem muito homem por aí que não faz o tipo garanhão, pegador, putão, enfim, e que é cobrado pela sociedade, porque é assim que um homem tem que ser. Todo homem que se preza tem que ter tido pelo menos uma amante, ou uma escapulida. Por outro lado, a mulher, se trai, é porque é vagabunda, safada, puta. Em nenhum dos casos as expectativas são justas. Mulher não tem que ser santa, homem não tem que ser garanhão.
Existem as mais diversas combinações. Pessoas com e para todos os tipos de gosto. Mas essas amarras com as quais temos nos prendido só têm dificultado a vida e disseminado a hipocrisia. Tudo seria mais fácil se as pessoas se permitissem ser sinceras com elas mesmas, e se pudessem dizer sem medo o que lhes apetece e quais as regras que vão valer em suas vidas. Num mundo desse jeito, nem sobraria espaço para o ponto (i) que foi enunciado nesse texto. Traição, não de homens que traem mulheres, é normal hoje. Traímos nós mesmos, antes de qualquer coisa, quando não dizemos o que realmente queremos. Trair o outro, nessas condições, não é nada...
(texto escrito em abril/2010)
29 junho 2010
Nas escadas da vida

Na mesma escada onde amores começam, amores terminam.
Na mesma hora que um namoro começa, ali, logo do lado, um namoro termina.
Com palavras não ditas dizendo mais do que o coração suportaria ouvir. Um tempo. Depois das provas nos falamos. Lágrimas, tentativas de dizer o que só se pode sentir. E justamente nos momentos em que mais se precisa de um ombro amigo, de companheirismo. Talvez fosse um sinal, mas ela não percebeu. Ele estava abandonando o barco. Era demais para ele. Namoro bom é namoro de festas, cervejas, pegação. Quando chega o estresse, o cansaço, as provas, ele põe na boca dela palavras que ela nem pensava em dizer. Diz aceitar a sugestão que ela, chorando, nega ter feito, de que se vejam depois das provas.
A cena é rápida. Passo por eles, eles não devem nem ter me percebido. Não sei se continuam namorando. Não sei se deram um tempo. Mas fiquei pensando: Como faria as provas com o coração despedaçado? Com aqueles olhos cheios de lágrimas? Que maneira estranha de dar apoio...
Acabei de me lembrar de uma música que fala de escada, do Cogumelo Plutão. E acho que combina com o clima do post de hoje.
18 junho 2010
Ano de eleição, Murphy e essas coisas da vida do cidadão comum
Caros amigos,
Quinta-feira, 17 de junho. Estou voltando ao trabalho e ainda mantenho o rádio ligado, mesmo com o horário eleitoral. Mantenho ligado para perceber que eu sou mesmo muito azarada. Onde eu vivo? Em que mundo? Por que as coisas ruins têm que acontecer justo comigo?
Agora está passando o currículo do presidenciável José Serra, com todos seus feitos como ministro da Saúde, prefeito de cidade de São Paulo e governador do estado. Ele fez tanto pela população, principalmente no que diz respeito à saúde. Pela forma que foi dito, nada mais precisa ser feito, agora é só manter! Não existe mais espera de meses e até anos para simples consultas, temos vários laboratórios especializados, AMEs que funcionam maravilhosamente bem!
E é aqui que mora o meu problema, estou ficando desesperada. Como Murphy pode cair em cima de mim de tal forma? Sempre que procuro por algum serviço de saúde não sou bem sucedida. Se não é comigo, é com meu irmão, minha mãe ou algum familiar – teria vários casos para contar, mas vou poupar vocês desta parte enfadonha.
Pessoal, eu estou precisando de ajuda! Por favor, mandem bastante energia para que eu saia deste azar astrológico, karmico, geográfico, ou sei lá o que, e consiga ver o Brasil maravilhoso que esses políticos pintam. Sem contar que eu preciso de um dermatologista, e tentarei marcar na semana que vem, pois eu também tenho direito a um sistema de saúde de qualidade!
Energia, não se esqueçam!
(texto escrito por Ana Paula Rocha - Mestre em Demografia pela Unicamp e minha amiga querida!)
10 junho 2010
Viajar é preciso!
(atualizado!)
Numa tarde andamos por quase toda a cidade. Fomos até o Cristo de onde se tem uma vista muito bonita da cidade. Visitamos uma fonte, de Nossa Senhora de Amparo, e passeamos pelo Parque Linear ao longo do qual encontramos quiosques, parquinhos, quadra de futebol, pista de skate e uma academia ao ar livre. À tarde tomamos um chopp e comemos um pastel muito bom (pastel de queijo com queijo de verdade), na Pastelaria Copa de Ouro.
À noite foi difícil encontrar algum lugar pra comer, mas descobrimos, lá perto da Matriz, uma pizzaria bacana, Rovigo, com uma pizza muito boa.
Sábado e domingo foram dias de passear em Serra Negra. Subimos a Serra com um pouco de neblina e um dia fechado, com cara de chuva. Mas tivemos sorte, e a cara feia do tempo foi embora, e nos permitiu passar bons momentos em Serra Negra. O forte da cidade é o comércio de malhas e de couro. Muitas lojas, muita gente e muitas sacolas. Mas, novamente, surpresa: sem nenhum semáforo, o trânsito funciona na base da gentileza. Mas é lento. A melhor opção é encontrar um canto pra estacionar e andar a pé. A cidade é pequena. E tem várias coisinhas bacanas para se fazer. Andamos no miniférico, que vai do centro da cidade, próximo a rodoviária, até o Cristo (sim, outro Cristo!). E é alto, e tava um friozinho.. E eu com medo de perder meu sapato. Imagina se ele cai lá de cima, no meio do mato... Ia ser uma beleza. Como disse meu namorado, eu teria uma desculpa para comprar outro sapato, já que opções é que não faltavam naquelas lojas de artigos em couro.. Mas o sapato não caiu!
Também fizemos um passeio de 'trenzinho' pela cidade. E fomos conhecer o Parque Sto. Agostinho, com duas fontes de água mineral.
Próxima parada foi a Disneilândia dos Robôs, um lugar super interessante, principalmente para criança, ou para adultos que ainda cultivam sua criança interior. Ele é quase um Castelo Ra-Tim-Bum. Robôs pedalando, bolinhas que sobem e descem, e umas bugigangas engraçadas. Se forem para Serra Negra, recomendo que passem pela Disneilândia dos Robôs.
E o friozinho pedia, então fomos tomar um capuccino na Brazillian Coffe. Que delícica de capuccino cremoso. Estava lotado, mas fomos bem atendidos. O café deu aquela aquecida, e continuamos andando.
No fim da tarde, fomos tomar um chopp acompanhados de uma amiga, que é de Serra Negra, e o namorado dela. Conversa agradável num ambiente tranquilo, com som baixinho, mas que estava lotado. Um dos points da praça da prefeitura, o Café-Boteko é um lugar muito bacana, atendimento bom, chopp Brahma bom, e mandioca frita muito boa!
Voltamos para Amparo, estava um super friozinho. Estávamos cansados, mas planejando mais passeios para o dia seguinte. Voltamos cedo no domingo para Serra Negra. Assistimos a apresentação de uma bandinha no palco da praça da prefeitura. Muito agradável. Depois fomos até o Alto da Serra. Nossa, amei o lugar, que vontade de ficar lá em cima! Aquela vista é muito bonita. Ver as cidadezinhas lá longe, tudo pequenininho...
Já era hora de almoçar e voltar pra casa. Resolvemos ir conhecer um lugar chamado Lago dos Macacaquinhos ou Macaquinhos Turismo, como algumas placas indicavam. No entanto, infelizmente, não foi uma experiência muito legal. O lugar tem algumas atrações: passeios de cavalo - num espaço bem reduzido-, uma pequena tirolesa, uns pedalinhos, alguns animais- coelhos, gansos, e os macaquinhos, numa pequenininha ilhazinha. Mas a decepção foi com a comida... Bom, o lugar é bonitinho, mas não aconselho ninguém a ir almoçar lá não...
No balanço geral, o feriado foi uma delícia. Infelizmente não tínhamos uma máquina fotográfica.. Mas aproveitamos bastante. E outra, viajar com boas companhias, no caso, como meu namorado, é sempre muito bom e divertido. Já estamos planejando o próximo passeio.
09 junho 2010
Fragmentos
Hoje, dia sim e outro também, encontro uma moça séria e que gosta de silêncio. Que já não dá gargalhadas. Uma moça que não sabe fazer planos que envolvam o 'para sempre'. Uma moça que se agarra ao presente como se o amanhã já estivesse fugindo...
[Setembro/2009]
21 abril 2010
Primeira impressão numa enésima vista
tão cheia de todas as gentes,
de carros, skats e apitos.
Nessa cidade me perco,
não me reconheço,
sempre olho,
sempre esqueço.
Nessa cidade cinza
com seus pontos verdes,
são praças e largos
e suas ruas cheias de vidas estreitas
e suas janelas altas
de onde tantos estão a espreita...
Nessa cidade louca
me vejo pequena,
quase insana,
são tantas tribos
são tantos planos,
ou simplesmente vidas,
sem rumos...
Nessa cidade suja - Ah, pobre cidade de gente que te suja!
são latas, papéis, paredes,
pensamentos..
Nessa cidade grande,
nessa grande cidade,
meus olhos ardem,
respiro com dificuldade,
a boca seca,
e tudo isso não é emoção,
apenas,
mas é poluição,
que pena!
28 abril 2008
Virada
25 fevereiro 2008
Passeio de sábado

Foi na sala de literatura e poesia brasileira que nos perdemos mesmo. Uma lembrança, uma promessa de leitura, uma troca de impressões - Capitu traiu ou não Bentinho? Um soneto de Camões, uma poesia de Pessoa, um conto da Clarice. Livros com cheiro de saudade. "Esse eu li no colégio!" "Eu também." "E esse aqui, você já leu?" "Não, esse não." "Mas esse eu li!" "Ah, esse eu não li não.."
Sebo é um lugar fantástico. É um dos meus lugares favoritos! Bom, às vezes, me divirto bastante também numa livraria. Mas os livros velhos, que trazem histórias em suas páginas amareladas, dedicatórias e alguns marca-páginas são muito mais interessantes. Muitas vezes fico viajando, pensando nas pessoas que possuíram aqueles exemplares. Nas histórias de suas vidas. Eu gosto de escrever nos livros. Nos meus, e nos que faço presente para amigos. Colocar nome, data e local onde comprei. Sei lá, um dia alguém poderá ter os meus livros em mãos e ter o mesmo prazer que tenho em ficar imaginando quem seria Francine, e o que teria sentido naquele dia em que comprou ou ganhou aquele livro, onde estaria. Nos livros que comprei, só no "Tempus Fugit" do Rubem Alves tem uma assinatura e uma data, no entanto, não fui capaz de decifrar o nome, nem mesmo de compreender a data, é uns vinte e pouco de junho de noventa e alguma coisa... Eu comprei três livros do Kundera: "A insustentável leveza do ser", " A brincadeira" e "Risíveis Amores". Esse último eu comecei a ler ontem. Também trouxe pra casa um dos Pensadores, do Wittigeinstein. Livro que esteve na minha cara e não pude ver... tem horas que tudo que precisamos em nossas vidas é um olhar estranho, que chega assim, pára do seu lado, e te mostra o que estava, literalmente, na sua cara...
Ele também comprou um livro do Rubem Alves; Também trouxe pra casa o "Viva o povo brasileiro", quero ver quando vai ler esse tijolinho, como ele mesmo classificou o grosso livro de capa dura vermelha. Nossa, não me recordo quais foram os outros dois livros que ele comprou. Tinha alguns em suas mãos, e quando fomos convidados a nos retirar, porque já era meio dia e estavam fechando o Sebo, ele separou rapidamente os que compraria. Fiz o mesmo. Também tinha separado mais livros do que de fato eu trouxe. Mas, além do fato de não querer gastar muito de uma vez só, temos a desculpa de fazer esse passeio mais vezes...
Saindo do Sebo D'Agosto, ficamos caminhando, um pouco sem rumo, pelo centro de Campinas. Eu tinha listinhas de outros Sebos, que aquela hora provalmente já estariam fechados, caso eles existissem de fatos! É, chegamos em dois endereços e.. Cadê o número que deveria ser um Sebo? Não existia! Mas foi divertido. Numa dessas procuras em vão, descobrimos o MIS - Museu de Imagem e Som. Entramos. Foi bem divertido. Tinha uma exposição sobre Biotecnologia e a exposição fixa do museu. Nossa, descobrimos que estamos ficando velhos. Os aparelhos de TV que fizeram parte de nossas infâncias já viraram peça de museu...Também as câmeras filmadoras, dos casamentos e festa de aniversários de tios e primos, já estão lá...
Depois do MIS, fomos até o Mercado Municipal. Meu deus, eu "so" boba mesmo, adorei o mercado! Comemos uma pamonha muito gostosa lá. A princípio tive medo de experimentar. Sei lá, às vezes sou muito fresca com alimentação. Mas estava uma delícia, quentinha e muito saborosa. O preço das coisas é uma ótima justificativa para voltarmos lá outros sábados...
Bom, demoramos mais do que havíamos planejado. No fim das contas estávamos os dois com os pés cansados. Mas acho que a mesma carinha de feliz que ele tinha era a minha. Rimos bastante caminhando pelas ruas.
Em meio a um monte de gente estranha, eram só mais duas pessoas passando pelas ruas de Campinas. Duas pessoas que não tinham pressa, que tinham todas as horas daquele sábado de fevereiro, sem sol nem chuva, para passarem um do lado do outro. Rindo das mais insignificantes coisinhas: por terem tomado a rua na direção errada, e foi duas vezes que fizeram isso; por chegarem no lugar onde deveria ter um Sebo e sequer achar o número que estava anotado na listinha... Que sorriam um para o outro com graça e felicidade. Se misturavam entre as muitas pessoas que iam e vinham pelas ruas sob aquele céu cinzento no centro da cidade. No fim, a promessa de que fariam aquele passeio mais vezes, porque tinham muitas coisas para conhecer ainda...
28 janeiro 2008
Dica do dia
25 setembro 2007
Rodoviária

Mulheres, homens, velhos ou crianças...jovens que se beijam, casais abraçados. Nos rostos às vezes cansaço, sono, tristeza, alegria...vai saber o que cada um está sentindo.
Aqui sempre tem música, acho legal, ajuda o tempo passar, música é sempre bom...
Eu já me acostumei com essa correria, nem bem chego e já estou voltando. Vim para o casamento da minha amiga Mariana, que foi lindo...
Chegou um ônibus, as pessoas se levantam, olham suas passagens, pegam suas malas, os motores de outros ônibus, que estão parados, são ligados, estão partindo...
Rodoviária é um retrato do que acontece na vida. Uns chegam, outros partem... as vezes estamos acompanhados, as vezes sozinhos...Durante a vida levamos várias malas... Tem tempo em que elas são mais pesadas, outros são mais leves. De repente ficam grandes, e no mesmo de repente voltam a ser pequenas...vamos de um lugar ao outro, e sempre tem uma ‘música’ de fundo...Cada um com um destino, mas partindo de um único lugar (...) ou com um destino comum, mas saindo de lugares tão diferentes, como os passageiros de beira de estrada, ou das paradas obrigatórias...
É sempre assim, uns indo outros vindo... Que bonita é a vida, pena que na maioria das vezes não temos tempo pra ficarmos observando essa dinâmica...
Agora passou um cara estranho, talvez estivesse bêbado, gritando e dizendo impropérios (...). A passagem dele foi como as coisas desconcertantes que acontecem diariamente e que nem nos damos ao trabalho de perguntar por que, ou então elas são tão desconcertantes que não perguntamos por que, para evitar qualquer desgaste maior...
E o que dizer dos que estão observando (como eu)? Talvez agora eu esteja no lugar daqueles que deixam a vida passar e só ficam olhando...Mas não, acho que não. O fato de estar escrevendo me coloca no lugar dos que na vida, mais do que apenas viver ou apenas olhar a vida passar, vivem e olham, olham e vivem...Três e quinze, acho que o meu ônibus já chegou...é hora de levantar, pegar minhas malas e preparar-me para voltar à minha vida...
Itajubá/ MG
28/11/04
As pessoas passam...

Algumas passam sem que tenhamos tempo para percebê-las,
Outras não conseguem prender nossa atenção,
Mas as pessoas estão sempre passando...
Algumas pessoas, quando passam, não contentam só em passar,
Então elas ficam por um tempo paradas,
Como se quisessem realmente marcar presença,
Ai, quando ela resolve continuar sua caminhada nós sentimos falta...
Outras pessoas, quando passam, deixam pegadas fortes,
Deixam um cheiro no ar, deixam uma sombra atrás delas...
E mesmo passando rápido, nós lembraremos por um bom tempo que ela, em algum momento, passou...
E as pessoas estão sempre passando...
Mas tem algumas pessoas que de repente param, e não passam mais, se fazem presentes, ficam...
Mas então, depois de um tempo, você percebe que ela continuou passando, só que junto com você, no mesmo ritmo, andando na mesma direção...
e as pessoas estão sempre passando...
10/11/2004
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