28 julho 2026

Humanidade

̶  Bom dia, Ana.

̶  Bom dia, Tom. Você já tomou seu café? Estamos começando mais cedo hoje.

̶  Você está cada vez mais observadora, Ana. Vou tomar café no escritório. Preciso de uma ajuda.

̶  Claro. Pode falar.

̶  Envie uma mensagem para o meu cardiologista. Desmarque a consulta. Invente uma desculpa. Ou melhor, diga que estou indo viajar e entro em contato quando retornar. Faça o mesmo com o psiquiatra.

̶  Entendi. Gostaria que acrescentasse que você não tem data para retornar?

̶  Ótimo! Ana, outra coisa. Preciso que você analise minha agenda do mês. Desmarque todas as reuniões que não forem extremamente importantes.

̶  Certo. Já estou trabalhando nisso.

(silêncio)

̶  Tom, estou pensando. Qual o critério para “extremamente importante”?

̶  Repita o padrão dos últimos dois meses.

̶  Ok. Entendi.

Ele está terminando de se trocar. Coloca alguns papéis numa pasta. Pega o relógio e o celular.

̶  Tom, tarefas cumpridas. Enviei para o seu e-mail apenas as reuniões extremamente importantes que foram mantidas.

̶  Obrigado, Ana. Só mais uma coisa. Entre no meu app e chame um Uber. Vou para o escritório.

Tom pega uma pequena mochila preta e a pasta. Abaixa a tela do notebook. Sai do apartamento. Entra no elevador às 7h06. O elevador chega ao térreo.

̶  Bom dia, seu Tom.

Tom apenas balança a cabeça. Estava ocupado olhando para a tela do celular. O porteiro abre o portão. Em frente, um Uber já está esperando por Tom. Ao entrar no carro, diz de modo seco:

̶  Procure fazer o caminho mais rápido. Estou com muita pressa.

Não ouviu o que o motorista respondeu, pois já havia enfiado os fones de ouvido sem fio nas orelhas. Pensava por que o condomínio ainda mantinha aqueles porteiros. Já tinha passado da hora de substituí-los por porteiros virtuais. Seria muito mais barato e mais eficiente. A humanidade ainda perdia tempo com gente. Não via a hora de ter carros autônomos com piloto automático circulando pela cidade. Tinha certeza de que o trânsito seria muito melhor.

De repente sente seu corpo deslocar-se violentamente para frente. O motorista freou bruscamente. Tom levantou os olhos da tela. O que era aquilo? Um punhado de gente no meio da avenida. Tudo parando nos dois sentidos. O que estava acontecendo? Ele sentiu o coração palpitando. Era algum tipo de manifestação. Pessoas gritando qualquer coisa que ele não ouvia. Ainda se fazia esse tipo de coisa? Cartazes. Vários cartazes erguidos. Leu escrito em letras garrafais: "Não queremos Data Center em nosso bairro”.

Ficou furioso. Sentiu o coração acelerar. As mãos gelaram. Um zumbido tomou conta da sua cabeça. Retirou os fones de ouvido e gritou com o motorista: “Atropele, passe por cima! Essa gente é o atraso! Se dermos ouvidos a esses idiotas, corremos o risco de voltarmos a 1500!”

O motorista, atônito, não sabia o que fazer nem o que dizer. O passageiro parecia fora de si. Espumava. Tinha os olhos arregalados. Estava visivelmente alterado. Parecia que ia explodir.

̶ Senhor!... o senhor está bem?

Notou que ele tinha dificuldades para respirar.

̶  Senhor, devo chamar um médico?

Com muito esforço ele conseguiu dizer:

̶  Não. Fale com Ana. Ela saberá o que fazer…

̶  Sua esposa? Sua secretária? Qual o número?

Ele apertava o peito. Tentava desabotoar a camisa. Transpirava. De repente tinha ficado completamente pálido.

O motorista ainda tentou:

̶  Senhor, quem é Ana?

Depois de alguns segundos, ele balbuciou:

̶  Minha assistente...

E estendeu a mão entregando o celular ao motorista… 

Image by DAMIAN NIOLET , do Pixabay

25 julho 2026

Descolada da paisagem

Sempre gostei da sonoridade desta palavra: es-ca-la-fo-bé-ti-co. Segundo o Houaiss, adjetivo para aquele ou aquela “que se comporta de maneira excêntrica, esquisita, extravagante”. Quando adolescente, vivia usando esta palavra para me referir à certas figuras que eu conhecia e que se destacavam da paisagem pela maneira extravagante que se vestiam. Mas fazia tempo que não a usava. Hoje, ao passear pela cidade, aproveitando o climinha de inverno, explorando um novo café, eis que me deparo com uma escalafobética.

Um sábado inocente, em torno de três da tarde, num inverno de país tropical, temperatura variando entre 17 e 19 graus. Um café. Cadeirinhas de praia, caixas de plástico coloridas emborcadas de cabeça para baixo fazendo as vezes de mesinha. Quando bati os olhos na criatura, pensei se tratar de um membro de uma família real qualquer, completamente fora de contexto. Logo de cara, chamou minha atenção um adereço que levava na cabeça, uma mistura de uma tiara com um chapéu russo, peludinho, preto. Uma maquiagem bastante carregada para às três da tarde, um batom vermelho carmim. Na orelha, no pescoço, nos dedos e no pulso, inclusive num broche que levava do lado esquerdo, muito dourado. Estava toda de preto. Nos pés, uma sapatilha. Uma saia longa, justa, de tecido acetinado. Na parte de cima, um casaco, também preto, que parecia bem quentinho, daqueles bons para encarar um frio europeu. Extravagante. Ousaria dizer, totalmente descolada da paisagem. Uma Mortícia Addams carregada nas joias douradas e com um semichapéu russo de pelinhos. Imagine!

Imagem criada no Canva com ajuda de IA

Eu tive vontade de rir. Era muito ridículo. Meu olhar, curioso e malicioso, não conseguia se desgrudar da criatura. Quando passou a interagir com as pessoas que a acompanhavam – vestidos de maneira mais normal -, descobri que não se tratava de uma gringa que havia se materializado, ali no café, por alguma estranha circunstância. Então, fiquei pensando: rica e cafona? Ou cafona querendo parecer rica? Seria uma dessas influencers sem noção? Não pareceu. Em nenhum momento sacou o celular. Rica, cafona e sem amigas? Sim, porque uma boa amiga faria um papel importante numa situação como aquela. “Amiga, você não acha que está exagerando? Vamos só tomar um café…” Era o mínimo que uma amiga de verdade poderia fazer.

Era um café em bairro de bacana. Lugar de gente que gosta de ser chique, descolada. Alguns fazem aquele tipo despojado, querendo parecer pobre de boutique. E tem a galera que vive acreditando ser herdeira da nobreza. Muita gente esnobe. Eu costumo gostar dos cafés. E só. O tipo de gente que circula por esses lugares não me comove. Não fico curiosa para saber a história de vida que se esconde por trás desses personagens. São enfadonhos. A escalafobética de hoje só me fez mesmo foi rir do ridículo a que se prestava. Pra mim, gente como ela, é aquele tipo de entretenimento de qualidade duvidosa; às vezes até faz a gente rir, mas, na maioria dos casos, só é perda de tempo de mau gosto. Se me dei ao trabalho de dedicar essa crônica ao ocorrido foi pelo bizarro da situação, que superou em muitos graus qualquer outra que eu já tenha presenciado nesses contextos.


17 julho 2026

O nome dela era Jéssica

 

Com um sorriso no rosto, ela me disse: “boa tarde, com licença, eu me chamo Jéssica e acabei de chegar na cidade, mas eu faço chocolate há muito tempo. Eu tenho aqui cones trufados, um modo de pagar os boletos...”. Certamente ela continuaria falando até o sinal abrir, mas eu a interrompi, educadamente, dizendo que não tinha intenção de comprar cone trufado e não queria fazê-la perder tempo comigo. Desejei boa sorte. Ela agradeceu, sorriu, e se dirigiu ao carro que estava atrás de mim.

Imagem retirada do pixabay

Eu estava a caminho da terapia. E enquanto meu cérebro processava a cena e eu tentava avisá-la de que não seria uma cliente, uma parte de mim já dava início a esta crônica. Jéssica acabou de chegar nesta cidade que está cada dia mais caótica. O trânsito, hoje, particularmente infernal. De onde veio Jéssica? Diria que do estado de São Paulo mesmo. Não capturei nenhum sotaque diferente. Por que a Jéssica veio para Campinas? Que esperanças e sonhos a trouxeram até aqui? Um dia eu também cheguei em Campinas. Cheguei cheia de sonhos e planos. Cheguei e fiquei. Será que a Jéssica também ficará? Eu só tinha dezenove anos. Tive muito medo desta cidade. Ela me parecia tão grande, e eu me sentia tão pequena e sozinha. Diferente da Jéssica, eu não tinha boletos para pagar. Apesar do desamparo que senti quando cheguei nesta cidade, eu fui acolhida por muitas pessoas. E fui acolhida também pela Unicamp. Não fossem as políticas de permanência – moradia, bolsa alimentação, bolsa trabalho – e eu certamente não teria ficado aqui. Não estaria onde estou hoje.

Fui e voltei da terapia e não consegui tirar a Jéssica da minha cabeça. Ela me pareceu ter a minha idade, talvez um pouco mais. Agora que escrevo, me pergunto por que não comprei um cone trufado dela. Não é o tipo de doce que eu gosto. Mas não era sobre mim. Era sobre a Jéssica, sobre os boletos que ela precisa pagar. Agora, enquanto escrevo, me dou conta de que poderia ter feito algo por ela. Mas, egoísta que sou, o que eu fiz foi capturar um pedaço dela para transformar em texto. É uma coisa que costumo fazer. Eu roubo coisas das pessoas – palavras, expressões, gestos, olhares. Eu confesso, cada vez que retorno para casa, do trabalho ou depois de ir almoçar ou jantar em algum restaurante, depois de um barzinho, um show ou um evento na praça, volto com muitas coisas roubadas de pessoas que, na maior parte das vezes, nunca mais verei. E a partir desses fragmentos roubados, eu invento histórias. Algumas bonitas e alegres, outras muito tristes. Eu invento porque aqueles fragmentos não são suficientes. Porque, para mim, a vida não é suficiente. Nunca foi. Eu sempre precisei inventar.

Será que a Jéssica conseguiu vender seus cones trufados? Eu me pergunto com um gosto amargo na boca. Eu sei que, se tivesse comprado um cone, não teria mudado a vida dela. Mas qual é o limite entre a gente ter consciência de que não vai mudar a vida de uma pessoa e a gente não fazer nada? Tento me convencer de que fiz alguma coisa. Esta cidade grande, com tantas pessoas em cada esquina, em cada semáforo, vendendo algo, pedindo algo, ou simplesmente precisando ser vista por alguém, tende a levar a gente a um cinismo de sobrevivência. Eu sei que não posso resolver os problemas dessas pessoas – não dou conta nem de resolver os meus sozinha, por isso eu estava indo para a terapia -, mas eu me esforço para não deixar de enxergar pessoas e suas histórias. Nem que seja para roubar alguma coisa delas e eternizar em alguns poucos parágrafos, em crônicas como esta.

14 julho 2026

Data centers: tê-los ou não tê-los, eis a questão!


 "O Brasil discute hoje um incentivo para data centers. Isso funcionaria?

Não acho errado, mas daria errado sem capacidade energética e planejamento. Quando se vê a capacidade de geração de eletricidade chinesa, o gráfico é de assustar.

Uma empresa que tem data centers no Brasil que me procurou disse que está quase desistindo de trazer investimentos em IA para o país. Isso porque é muito caro e não há capacidade energética. Assim, os provedores nacionais não conseguem competir em custo com os grandes provedores de nuvem internacionais. É mais sério do que um simples incentivo fiscal.

É possível conseguir acordos de transferência tecnológica das big techs interessadas em instalar data centers no Brasil?
Tendo energia, o resto vem. O país dá energia barata e pede computadores, qualificação de pessoal e dados. Os dados precisam estar no Brasil. Os datasets são o novo petróleo, são extremamente valiosos para os criadores de modelos de IA."

Trecho da entrevista de Mat Velloso para Folha de São Paulo, publicado em 14/07/2026.. 

Mat Velloso liderou times de IA no Google, onde foi vice-presidente, e foi parte do superlaboratório de inteligência artificial da Meta. Ele deixou a big tech de Zuckerberg em fevereiro para orientar empresas brasileiras.

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"De acordo com a Agência Internacional de Energia dos Estados Unidos, cada consulta ao ChatGPT consome, em média, cerca de dez vezes mais eletricidade do que uma pesquisa típica no Google. 

Até recentemente, os maiores data centers eram projetados para operar com cerca de 150 megawatts, o que significa consumir anualmente tanta energia quanto aproximadamente 122 mil residências nos Estados Unidos. Hoje, desenvolvedores e empresas de serviços públicos se preparam para megacampi de IA que poderão exigir de mil a 2 mil megawatts. Um único deles poderia usar, em um ano, de cerca de uma vez e meia a três e meia a quantidade de energia consumida pela cidade de São Francisco. 

Existem poucos lugares no planeta capazes de produzir e fornecer tanta energia para um único local. Os desenvolvedores estão trabalhando com empresas de serviços públicos ao redor do mundo para construir mais usinas de energia e ampliar as opções disponíveis.  (...) As empresas de serviços públicos estão adiando a desativação de usinas a gás e carvão, assim como a transição para energia renovável. A Microsoft reativou a Three Mile Island, uma usina nuclear perto de Middletown, Pensilvânia, que sofreu um acidente nuclear no final da década de 1970, o pior acidente nuclear comercial da história do país. Até 2030, no ritmo atual de crescimento, estima-se que os data centers usarão 8% da energia dos Estados Unidos, em comparação com 3% em 2022; mundialmente, a computação de IA poderá consumir mais energia do que toda a Índia, o terceiro maior consumidor de eletricidade do mundo."

Karen Hao, O Império da IA: por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, trad. Ananda Alves e André Sequeira, Rio de Janeiro: Rocco, 2026.

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Discursos como o de Mat Velloso são exemplos do que Karen Hao identificou como parte do modus operandi do Vale do Silício: a inevitabilidade. Sutskever, um dos fundadores da OpenAI, afirmou ao repórter do New York Times, Cade Metz:

"Acho bastante provável que não demore muito para que toda a superfície da Terra fique coberta por data centers e usinas de energia." Segundo Sutskever, "haveria um tsunami de computação... quase como um fenômeno natural". A IAG (Inteligência Artificial Geral) e os data centers necessários para sustentá-la seria "útil demais para não existir" (HAO, 2026, p.87). 

No entanto, ao longo das mais de 400 páginas do seu livro, Hao nos conta que, diferente da inevitabilidade alardeada por Sam Altman e seus sócios, "a história da IA revela que seu desenvolvimento sempre foi moldado por uma elite poderosa" (HAO, 2026, p.99). Segundo Karen, à medida que comunidades do sul global, mais vulneráveis às investidas das grandes empresas de tecnologia, vão tomando consciência da ameaça que esse desenvolvimento desenfreado significa para seus territórios, a questão central por elas colocadas é: "como imaginar um caminho diferente para o desenvolvimento da IA que não esteja enraizado na extração". 

Poderíamos complementar: como imaginar um caminho diferente para o desenvolvimento da IA que não implique na devastação da Terra? Universidades, centros de pesquisas independentes, governos e políticos dos países que estão sendo "cortejados" e "assediados" por essas empresas precisam urgentemente focarem nessa questão. Nos colocar simplesmente como fornecedores de matéria-prima e energia em troca de "transferência tecnológica" é apenas nos render a um modelo destrutivo que pode custar a sobrevivência da maioria de nós. Pois, enquanto se empenham em enganar e trapacear governos e comunidades mundo afora, esses bilionários também investem em Planos B e C de sobrevivência própria, seja na Lua ou em Marte

As notícias de estados brasileiros dispostos a atrair data centers para seus territórios precisam fazer soar alarmes em toda a sociedade. O que realmente temos a ganhar com isso? A expansão de data centers pelo mundo está a serviço de um modelo de tecnologia que não beneficia a todos. É um modelo extrativista, colonialista, exploratório e completamente descontrolado.  Estamos sendo convencidos de que "precisamos" desses data centers porque "precisamos" das IAs, mas não estamos nos perguntando: Precisamos mesmo? Precisamos para quê? Qual IA? 

Nunca foi tão importante a capacidade de pensar, de se questionar, de interpretar textos e contextos. Enquanto tantos de nós são ludibriados e, encantados pelas demonstrações dos avanços tecnológicos que nos fazem acreditar que vivemos em cenários de filme de ficção científica, se tornam incapazes de olhar para o que acontece a nossa volta, o planeta sofre as consequências do desatino de bilionários mimados, narcisistas, com perfis que oscilam entre psicopatia e sociopatia. 

Karen Hao apresenta em seu livro a experiência de uma comunidade indígena na Nova Zelândia que usou IA para revitalizar uma língua tradicional do povo maori. Uma IA específica, criada com e para a comunidade, desenvolvida a partir de três princípios fundamentais: consentimento, reciprocidade e soberania maori em todas as etapas. A diferença de perspectiva aqui é fundamental:

            "Enquanto a OpenAI busca criar modelos únicos, massivos e capazes de realizar inúmeras tarefas, um objetivo que exige o máximo de dados possível, a Te Hiku concentrou-se simplesmente em desenvolver um modelo pequeno e especializado, excelente para uma função específica. Além disso, beneficiou-se da comunidade transfronteiriça e de código aberto: tomou como ponto de partida o DeepSpeech, um modelo gratuito da Fundação Mozilla, ele próprio fruto de uma visão distinta de desenvolvimento em IA. (HAO, 2026, p.400)

Não se trata de negar a tecnologia e seus potenciais benefícios. Trata-se de colocar cada coisa no seu devido lugar. O tipo de uso banal que se faz hoje de ChatGPT e afins, inclusive correndo o risco de atrofiar ou não desenvolver capacidades e habilidades humanas básicas que nos trouxeram até o atual estágio de desenvolvimento tecnológico, é um erro que pode custar muito caro. Empresas como Google, OpenAI, Microsoft, Meta e Anthropic, e aqueles que estão a serviço da mesma visão de mundo que norteia essas empresas, seguirão dizendo que é preciso ampliar a produção de energia, que os países precisam se adequar a nova era da IA, que os países que não seguirem o roteiro, escrito por eles, ficarão para trás. 

Mas o verdadeiro perigo não é "a gente voltar para 1500", e sim o planeta ser sugado até a última gota, sem haver chances de retorno. 

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