Segura a criaturinha como se fosse algo precioso. Olhinhos brilhantes. Face corada, boca entreaberta. Sorri. Um meninozinho. Doce e carinhoso. Dedinhos gordinhos acariciam as penugens amarelinhas. Um pintinho. - Gabriel, devolve, filho. A galinha está nervosa. Vai atacar você. Não quer se separar. Aperta a criaturinha contra si. - Gabriel, a galinha vai bicar seu pé. Devolve, filho. Ele aperta mais um pouco. Lágrimas inundam seus olhinhos. Respira com dificuldade. Rosto vermelho, muito vermelho. Parecia que ia verter sangue a qualquer momento. Ele estava confuso. Raiva? Frustração? Não sabia dizer ainda. - Gabriel, a mamãe tá falando, devolve o pintinho. As mãozinhas, gordinhas, apertam com muita força a criaturinha. Ela esperneia. Tenta escapar. Fica imóvel. A mãe grita horrorizada: - Gabriel, você ma… Não consegue completar. A mãe em choque. Voa sobre ele, a galinha. Abre as mãozinhas assustado. Vê a criatura, sem vida, cair a seus pés. Chora. Chora sentido. Caminha em direção à mãe, bracinhos estendidos. Busca colo. Consolo. Ele não conseguiu conter suas emoções. Ela também não. Parece ver nele outros: irmão, pai, avô. Diz ríspida: - Não chore! Vamos, agora já foi…seja um menino grande, passou.
Mas
ele era só um meninozinho.
| Imagem criada por IA via Canva |
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