29 janeiro 2008

"Balanço"

Balançava-se na rede. Sorria. Aquele sorriso bobo que desfila no rosto de pessoas apaixonadas. Olhava para o nada e enxergava tudo... Os olhos, às vezes, ficavam marejados. Os sentidos, numa confusão própria do estado em que se encontrava, pareciam gozar de uma intensidade como há muito tempo não possuíam.

Pensava na rapidez em que tudo acontecia. Questão de dois ou três dias. Quem poderia imaginar? E como é bom não imaginar nada e ser tomada de assalto, num repente, traída pelos próprios olhares e desejos.

Agora ele está longe. Talvez sinta essa mesma embriaguez leve. Talvez também sorria para as paredes, ou para os passantes na rua. Talvez dê bom dia até mesmo aos pequenos insetos que venham se aproximar de seu rosto ou de suas mãos...

Ele ajeita os óculos de maneira tão graciosa. Meu deus! Tão pouco tempo e já se prendeu a esses detalhesinhos... A rede parou. Mas ela continuou sorrindo. Ainda ouvia a voz dele. Uma semana parecerá um ano... É preciso controlar a imaginação, pensava. As surpresas são sempre melhores. E quão melhores... Mas já pode quase sentir o coração acelerado, quando se encontrarem novamente.

Afastando-se um pouco da felicidade das últimas horas, percebia o quão distante esteve desse sentimento de bem querer, dessa vontade de ter alguém por perto, de sentir uma respiração e aspirar um hálito quente e, de olhos fechados, guiada apenas pelas pontas dos dedos, gravar cada detalhe de um rosto novo...

-Ana! Ana...
-Você falou comigo?
-E tem outra Ana por aqui? - Cecília forçou uma cara de brava que logo se desfez num sorriso, enquanto a cabeça movia-se lentamente de um lado para o outro.
-Desculpa...O que é??
-Ia perguntar por que tanto sorri, mas acho que já sei: Henrique.
-É...- E Ana novamente mergulhou nas imagens que desfilavam diante dos seus olhos, na parede branca, onde Cecília penduraria o novo mural da casa.

Cecília a observava e foi contagiada pelo sorriso. Colocava as últimas fotos no mural. Algumas festas, outras viagens, outras simplesmente registro de horas descontraídas em casa. Pena que não tinha uma câmera agora. Registraria o sorriso bobo de Ana. Mas os olhos, brilhando e às vezes marejado, talvez porque marejados ainda brilhavam mais, não haveria câmera que pudesse registrar... Sabia bem o que era aquilo: Felicidade. Quase sentiu uma pontinha de inveja. Mas logo tratou de empurrá-la para um daqueles cantinhos escuros nos quais escondemos nossos sentimentos mais feinhos...

Levantou-se e colocou o mural na parede.
-Ficou bom, né? O que acha?
-Ah?...Ah! sim, está bom. Hoje você não colocou muito açúcar.
-O quê?? do que você está falando?? eu perguntei do mural! Ana...
-Ai Cecília, desculpa, estava distraída, pensei que falava do suco...Sim, sim, o mural ficou ótimo.. desculpa!
-Tudo bem! por hoje passa.. Tô indo pra aula, mas vê se aterrisa menina...

As duas riram. Cecília desceu as escadas. Ana deu novo impulso à rede, tão novo quanto o que sua vida ganhara. E deixou-se balançar...

Campanha

Campanha
Saiba mais sobre a campanha clicando na imagem

Sobre o que se fala

opinião cotidiano Poesia política Dicas utilidade pública Rapidinhas atualidade atualidades crônica Campinas educação Conto Minas Gerais São Paulo cinema observações coisas da vida Brasil escola música Delfim Moreira Dica de leitura Misto Bolsonaro Literatura democracia divulgação Barão Geraldo eleições Filosofia da vida coisas que fazem bem passeios Comilança clã Bolsonaro debate público redes sociais 8 de março amigos coronavírus ensino paixão revoltas séries Dark Futebol amor coisas de mineiro coisas do mundo internético criança do eu profundo façamos poesia; infância pandemia preconceito; atualidades sobre fake news Ciência Violência; Educação; utilidade pública de irmã pra irmã final de ano; início de ano; cotidiano; lembranças política; ser professor (a) tecnologia virada cultural adolescência autoritarismo comunicação consumo consciente desabafo distopia economia fascismo férias história impressa livros manifestação mau humor mentira mulheres mágica pós-verdade quarentena reforma da previdência sobre a vida violência música Poesia 15 de outubro 20 de novembro 2021 8 março precisa ser todo dia; Anima Mundi EaD Eliane Brum Fora Bolsonaro Itajubá Moro Oscar Passarinho; Poesia; Vida Posto Ipiranga aborto amizade amor felino animação; autoverdade balbúrdia baleia azul. bolsonarismo cabeça de planilha consciência negra conto; continho corrupção coti covid-19 crime crônica felina crônica ficcional curtas; concurso; festival curtas da vida; defesa democracia liberal descobrindo o racismo desinformação direitos discurso divulgação; atualidades divulgação; blogs; poesia documentário família feminismo filosofia de jardim fim das sacolinhas plásticas final de ano; início de ano; cotidiano frio férias; viagens; da vida; gata guerra de narrativas hipocrisia humor ideologia informação; utilidade pública infância; jabuticaba jornalismo lei de cotas leitura minorias morte mídia música Poesia novidades para rir poema próxima vida racismo estrutural racismo institucional rap resenha; atualidade; interesse público; educação saudade saúde sentimentos tirinhas universidade utopia verdade verdade factual viagem

Amigos do Mineirices