19 janeiro 2012

Sacolinhas plásticas e outras coisinhas

O ano começou com campanhas de grandes redes de supermercado no estado de São Paulo anunciando o fim das sacolas plásticas. E, de repente, tem um monte de gente se manifestando contra essa ideia e, mais que isso, se manifestando em defesa das sacolas plásticas.
Faz já um tempinho que decidimos reduzir o uso de sacolas plásticas aqui em casa. Para isso temos usado as sacolas de pano (houve um movimento interessante na onda do ecologicamente correto, que fez com que empresas e instituições em geral distribuíssem sacolas de pano como brinde em eventos e afins; pelo menos ganhamos umas quatro. Além delas usamos também sacolas térmicas e as caixas de papelão - que são reutilizadas para armazenar material reciclável seco). Além da redução do uso de sacolas, tentamos também reduzir o uso dos saquinhos de frutas e legumes.  
Sou a favor do uso daquelas antigas bolsas de feiras, coloridinhas, que lembram minha infância, e dos carrinhos de feira. Nós vivemos tão bem por tanto tempo sem as sacolinhas plásticas! Por mais que pareça difícil, acredito que não será impossível nos adaptarmos ao seu fim. Contra essa campanha pesa o hábito adquirido nas últimas décadas. De fato, as sacolinhas ganharam muita utilidade em casa, seja para o descarte de lixo comum, ou para nos auxiliar nas viagens - guardando sapatos e roupas usadas ou molhadas. Mas também o número de sacolas indevidamente espalhadas mundo a fora não é brincadeira. Sacolas flutuam na estrada, estão emaranhadas em galhos de árvores ou na beira de rios e córregos, ou ajudando a entupir bueiros, ou na areia da praia no final de um dia de sol. 
Não tenho argumentos contundentes em favor do fim das sacolinhas plásticas nos supermercados, mas sou simpática a ideia. No entanto, não é o fim das sacolinhas que vai salvar o planeta. A urgência de se falar em mudanças de hábitos de consumo é cada vez mais gritante. O caminho para isso, sem dúvida, é a educação. Mas, também é sabido, é um processo lento. Por mais que pareça arbitrário o fim das sacolinhas, talvez ele se apresente neste momento como o melhor caminho. Quem sabe com essas medidas, as pessoas não comecem a pensar mais seriamente nos seus hábitos de consumo? Consumo consciente é a nova-velha onda do momento. É importante falarmos em desperdício e em excessos. Será que precisamos mesmo comprar tudo o que compramos? Essa falsa necessidade que o sistema capitalista impõe a nós, consumidores em potencial, precisa ser ponderada, refletida de maneira crítica. Não estou dizendo para pararmos de consumir. Mas podemos fazer isso de maneira mais inteligente.
Ninguém pode ser inocente a ponto de acreditar que as grandes redes de supermercado que entraram nessa campanha assim decidiram por puro altruísmo. É LÓGICO que elas estão visando LUCRO. Mas, por outro lado, não podemos esperar ações altruístas para mudar o mundo e para pensarmos no futuro do planeta. 
Se as sacolinhas são as vilãs ou vítimas da vez? Não sei. Mas sei que é hora de pensarmos e mudarmos  nossas atitudes como consumidores-cidadãos. E não, eu não tenho uma receita pronta para resolver nossos problemas! Mas tento fazer minha parte, nas pequenas coisas do dia a dia. E você, o que pensa sobre isso? O que tem feito pelo planeta?

3 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Lúcido e questionador o seu post, sobre um assunto na ordem do dia. Parabéns e obrigado pelo comment em Consoantes Reticentes. Um beijo pra você.

Unknown disse...

Muito legal, Fran...de fundamental importância! Parabéns pelo post!Beijim...rs

Francine Ribeiro disse...

Marcelo e Maria Tereza,
Obrigada pelos comentários!
Pelo jeito ainda vai dar muito o que falar essa história das sacolinhas.

abraços
Fran

Campanha

Campanha
Saiba mais sobre a campanha clicando na imagem

Sobre o que se fala

opinião cotidiano Poesia política Dicas utilidade pública Rapidinhas atualidade crônica atualidades Campinas educação Conto Minas Gerais São Paulo cinema observações coisas da vida Brasil escola música Delfim Moreira Dica de leitura Misto Bolsonaro Literatura democracia divulgação Barão Geraldo eleições Filosofia da vida coisas que fazem bem passeios Comilança clã Bolsonaro debate público redes sociais 8 de março amigos coronavírus ensino paixão revoltas séries Dark Futebol amor coisas de mineiro coisas do mundo internético criança do eu profundo façamos poesia; infância pandemia preconceito; atualidades sobre fake news Ciência Violência; Educação; utilidade pública de irmã pra irmã final de ano; início de ano; cotidiano; lembranças política; ser professor (a) tecnologia virada cultural adolescência autoritarismo comunicação consumo consciente desabafo distopia economia fascismo férias história impressa livros manifestação mau humor mentira mulheres mágica pós-verdade quarentena reforma da previdência sobre a vida violência música Poesia 15 de outubro 20 de novembro 2021 8 março precisa ser todo dia; Anima Mundi EaD Eliane Brum Fora Bolsonaro Itajubá Moro Oscar Passarinho; Poesia; Vida Posto Ipiranga aborto amizade amor felino animação; autoverdade balbúrdia baleia azul. bolsonarismo cabeça de planilha consciência negra conto; continho corrupção coti covid-19 crime crônica felina crônica ficcional curtas; concurso; festival curtas da vida; defesa democracia liberal descobrindo o racismo desinformação direitos discurso divulgação; atualidades divulgação; blogs; poesia documentário família feminismo filosofia de jardim fim das sacolinhas plásticas final de ano; início de ano; cotidiano frio férias; viagens; da vida; gata guerra de narrativas hipocrisia humor ideologia informação; utilidade pública infância; jabuticaba jornalismo lei de cotas leitura minorias morte mídia música Poesia novidades para rir poema próxima vida racismo estrutural racismo institucional rap resenha; atualidade; interesse público; educação saudade saúde sentimentos tirinhas universidade utopia verdade verdade factual viagem

Amigos do Mineirices