07 janeiro 2020

Ágora ou pracinha de cidade do interior?

Eu uso errado as redes sociais. Não uso muito, é verdade. Não tenho perfil no Twitter ou no Instagram. Demorei para me render ao Facebook. Não tenho muitos 'amigos'. Quase não posto fotos. Se alguém entrar no meu perfil a fim de bisbilhotar minha vida, ficará decepcionado. Não tem nada sobre minhas últimas férias, não tem foto do fim de semana, não tem fotos na praia ou no shopping. 

Meios De Comunicação Sociais, Facebook, TwitterSigo alguns perfis de jornalistas, políticos, professores, alguns perfis oficiais de jornais (BBC, El país, TIB, etc).  Compartilho muitos textos de opinião, meus e de outros, muitas notícias. Em média minhas postagens, sobre educação, política, cinema, literatura e atualidades, têm de 3 a 10 'curtidas'. De vez em quando 1 ou 2 comentários. Hoje tirei uma foto, achei que ficou boa, resolvi mudar minha foto de perfil. Em algumas horas eis que a foto tem mais de 50 curtidas. Ah, o poder das imagens...

Confesso que isso me deixou frustrada. Tenho tanto para dizer, escrevi tantas linhas durante 2019, mas é uma foto que recebe atenção. Não sei bem o que estou fazendo no Facebook. Eu não sei usar rede social. Queria interação, leitores, pessoas com quem trocar ideias. Mas acho que estou no lugar errado. Será que há lugar para isso? Para trocar ideia? Muitos, inclusive eu, já disseram que as redes sociais seriam a Ágora do século XXI, no entanto, a comparação não me parece adequada. O Facebook está mais para pracinha de cidade do interior. 

Sim, aquele lugar onde as pessoas vão (ou iam?) exibir a roupa nova no final de semana, indo e vindo de uma ponta a outra. Lugar onde as panelinhas de jovens se reuniam para fofocar a respeito dos membros das outras panelinhas. E era só isso. Raramente alguns amigos se juntavam para conversar e discutir algo realmente interessante e produtivo que não envolvesse a roupa da fulana, a traição do sicrano, a gravidez da filha do beltrano entre outras futilidades do tipo. 

E o Facebook parece isso: uma grande pracinha de interior onde todos desfilam suas roupas novas, namorados, filhos, carros novos... Ninguém quer saber de nada sério no Facebook. De sério já tem o trabalho, o casamento ou o namoro chato, o trânsito de todo dia, o jornal  - que ninguém assiste mais, porque só tem tragédia mesmo. Então, bora fazer pose na pracinha! E se quiser fofoca, pra isso tem o WhatsApp, sempre com uma boa teoria conspiratória que a gente logo passa adiante...

Será que vale a pena manter meu perfil no Facebook? Será que vale a pena escrever esse texto? É bem provável que eu esteja no lugar errado, me incomodando com o que é normal para todo mundo. Assim como muito cedo quis fugir da cidade pequena com sua pracinha, sinto que não há muito para mim nas redes sociais. Talvez seja hora de partir em busca de uma nova Ágora de verdade, de um lugar em que se queira mais do que aparência, no qual se possa conversar, trocar ideias, pensar o mundo, construir alternativas.

3 comentários:

Unknown disse...

Sou fã dessa minha amiga

rsc disse...

Boaaa... é mesmo frustrante Fran. Mas qual seria esse "outro lugar"? Ou não seria o caso de se fazer resistência também nestas redes? Enfim, penso que devemos ponderar :)

Francine Ribeiro disse...

Eu concordo que é importante marcar presença nas redes. Mas a dúvida é como não sucumbir a superficialidade? Como dizer coisas importantes sem ser em memes? ou como usar a linguagem dos memes sem perder a profundidade que certos temas exigem? na verdade, acho que é um grande desafio.

Campanha

Campanha
Saiba mais sobre a campanha clicando na imagem

Sobre o que se fala

opinião cotidiano Poesia política Dicas utilidade pública Rapidinhas atualidade atualidades crônica Campinas educação Conto Minas Gerais São Paulo cinema observações coisas da vida Brasil escola música Delfim Moreira Dica de leitura Misto Bolsonaro Literatura democracia divulgação Barão Geraldo eleições Filosofia da vida coisas que fazem bem passeios Comilança clã Bolsonaro debate público redes sociais 8 de março amigos coronavírus ensino paixão revoltas séries Dark Futebol amor coisas de mineiro coisas do mundo internético criança do eu profundo façamos poesia; infância pandemia preconceito; atualidades sobre fake news Ciência Violência; Educação; utilidade pública de irmã pra irmã final de ano; início de ano; cotidiano; lembranças política; ser professor (a) tecnologia virada cultural adolescência autoritarismo comunicação consumo consciente desabafo distopia economia fascismo férias história impressa livros manifestação mau humor mentira mulheres mágica pós-verdade quarentena reforma da previdência sobre a vida violência música Poesia 15 de outubro 20 de novembro 2021 8 março precisa ser todo dia; Anima Mundi EaD Eliane Brum Fora Bolsonaro Itajubá Moro Oscar Passarinho; Poesia; Vida Posto Ipiranga aborto amizade amor felino animação; autoverdade balbúrdia baleia azul. bolsonarismo cabeça de planilha consciência negra conto; continho corrupção coti covid-19 crime crônica felina crônica ficcional curtas; concurso; festival curtas da vida; defesa democracia liberal descobrindo o racismo desinformação direitos discurso divulgação; atualidades divulgação; blogs; poesia documentário família feminismo filosofia de jardim fim das sacolinhas plásticas final de ano; início de ano; cotidiano frio férias; viagens; da vida; gata guerra de narrativas hipocrisia humor ideologia informação; utilidade pública infância; jabuticaba jornalismo lei de cotas leitura minorias morte mídia música Poesia novidades para rir poema próxima vida racismo estrutural racismo institucional rap resenha; atualidade; interesse público; educação saudade saúde sentimentos tirinhas universidade utopia verdade verdade factual viagem

Amigos do Mineirices